19/08/2009

Material de construção em alta

Fonte: Jornal da Tarde

Custo Unitário Básico , medido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil, subiu 9,7%

(Foto: zeafonso/stock.xchng)
Preços dos materiais de construção subiram mais que o dobro (Foto: zeafonso/stock.xchng)

Os preços dos materiais de construção subiram mais que o dobro do índice de inflação oficial nos últimos 12 meses – encerrados em julho -, e alguns itens devem aumentar mais 20% até o fim do ano.

No período de agosto de 2008 a julho de 2009, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e utilizado pelo governo como referência na medida da inflação, registrou alta de 5,48%.

Já os principais índices que medem os preços dos materiais registraram valores bem acima, apesar da redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 31 produtos, em vigor até dezembro.

O Custo Unitário Básico (CUB), medido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), fechou o período em 9,7%. O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos da Construção Civil (Sinapi), também elaborado pelo IBGE, evoluiu 9,4%, e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) marcou 6,7%.

Cláudio Conz, presidente da Associação Nacional dos comerciantes de Material de Construção (Anamaco), que representa a rede varejista, afirma que, há cerca de 60 dias, o varejo tem enfrentado fortes altas de preços. Segundo ele, os reajustes se concentram em materiais que dependem de plástico, como tubos de PVC para encanamento, e de cobre, como torneiras, cadeados e correntes.

Conz afirma que os preços do plástico e do cobre, negociados no mercado internacional, tiveram elevação. “Só de janeiro para cá, o preço da tonelada do cobre subiu de US$ 3,5 mil para US$ 6,5 mil”, exemplifica.

Segundo o presidente da Anamaco, os produtos que levam plástico ou cobre na composição devem ter novos reajustes até o fim do ano, que podem chegar a 20%. “Estamos fazendo o possível para não repassar os aumentos integralmente”, garante.

Conz acredita que os consumidores só não vão sentir mais os aumentos do setor porque itens como cimento, aço e tinta não têm registrado pressões por aumento. “Os reajustes pegaram mais os produtos ligados à hidráulica, que representam não mais que 3% do custo total da obra”, diz.

Conz sugere aos consumidores que pesquisem os preços com cuidado antes de comprar porque as lojas contam com estoques em estágios diferentes. “Algumas redes, que compraram há mais tempo, costumam ter preços melhores para escoar a mercadoria”, avisa.

Melvyn Fox, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção (Abramat), representante das indústrias do setor, também credita aos preços do cobre e do plástico no mercado internacional os aumentos mais significativos de materiais de construção.

Fox, no entanto, acredita que possíveis quedas de preços no exterior também teriam reflexo no mercado interno. “Tudo vai depender do cenário econômico na Europa e nos Estados Unidos”, avalia.

Alexandre Oliveira, conselheiro consultivo do Sinduscon-SP, afirma que não é comum que os índices de preços da construção civil fiquem distantes da inflação geral. Ele acredita que as diferenças verificadas no acumulado dos últimos de meses se devem ao crescimento da demanda interna, o que faria com que a indústria tivesse dificuldade em atender.

Melvyn Fox, da Abramat, discorda da opinião do conselheiro do Sinduscon-SP. Segundo ele, a indústria não tem problemas por aumento do consumo, já que a capacidade ociosa dos equipamentos de produção está entre 18% e 20% e produzir mais “não seria problema”.

NAS LOJAS VARIAÇÃO EM 12 MESES (EM %):
Areia 14
Telha de amianto 12,3
Telha 10,1
Tijolo 10,4
Cal de pintura 10,2
Portas, janelas
e portões 10,1
Telha de cerâmica 10,1
Cimento 10
Azulejo 6
Tinta 5,9

Fonte: Dieese

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