16/04/2010

Material de construção: IPI menor vai até dezembro

Fonte: O Estado de S. Paulo

Redução das alíquotas de 31 produtos terminaria no final de junho mas foi prorrogada pelo governo porque o aumento da procura estava pressionando os preços

(Foto: Divulgação)
Com o fim do corte do IPI, a alta dos preços seria de 8% (Foto: Divulgação)

Quem pretende construir ou reformar não precisa mais correr. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos materiais de construção – que vigora desde abril de 2009 e terminaria em 31 de junho – foi estendida até o fim de 2010.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem a manutenção das alíquotas reduzidas para 30 produtos. Segundo Mantega, os consumidores estão concentrando as compras destes materiais para aproveitar o benefício o que vem causando pressão sobre os preços. “A construção civil é um negócio de médio prazo. As compras agora podem ser feitas ao longo de um tempo maior”, diz Mantega.

Fabricantes e varejistas já haviam avisado o ministro que muitas lojas e construtoras estavam formando estoques dos materiais, como forma de se precaver contra a alta de preços que ocorreria quando a redução do IPI acabasse. “O problema é que essa prática poderia acarretar em falta de produtos nas lojas. Isso os deixaria mais caros, porque não há como controlar preços quando há falta de mercadorias”, explica Claudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco).

Conz estima que, com o fim do corte do IPI, a alta dos preços seria de 8%, o que elevaria o custo das obras quase na mesma proporção – daí a pressa das empresas e dos consumidores em garantir a compra antes de 31 de junho.

Mas nem mesmo as alíquotas reduzidas do IPI têm conseguido segurar os preços dos materiais de construção. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medido pelo IBGE, a maioria dos materiais de construção subiu nos últimos 12 meses – período em que vigora o IPI reduzido. Além do preço dos produtos, os custos de mão de obra também têm encarecido as reformas e construções.

Para Melvyn Fox, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Material de Construção (Abramat), a razão para o aumento de preços dos produtos é, principalmente, o encarecimento das matérias-primas – em especial as cotadas em bolsas internacionais, como o minério de ferro. De acordo com Fox, após a crise, a tendência era mesmo de que os preços subissem, acompanhando a recuperação da economia.

O presidente da Abramat descarta, entretanto, a tese de que as fabricantes e varejistas nacionais teriam reajustado os preços por conta do aumento da demanda interna. “Isso não ocorreu, os reajustes foram pontuais”, reforça. Parte dos aumentos também se deu em produtos que não estão incluídos na lista de itens que contam com redução de IPI.

Fox ressalta, porém, que a indústria tem plenas condições de atender à demanda crescente. “Antes da redução do IPI, a indústria estava com 77% de utilização da capacidade produtiva e apenas 35% das empresas previam investimentos para os próximos 12 meses”, diz. “Hoje, a utilização da capacidade produtiva está em 85%, o que ainda nos dá certo respiro, e mesmo assim 70% das empresas preveem investimento.”

Afinal, tudo indica que as vendas vão continuar crescendo. Pesquisa realizada pelo Programa de Administração do Varejo, da FIA, mostra que o consumidor pretende gastar, em média, R$ 6.536 com materiais de construção neste segundo trimestre de 2010 – 163% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Outro impulso para o setor é o programa “Minha Casa, Minha Vida”. Até 13 de abril, foram contratadas 408.674 unidades em todo Brasil, ou seja, 40,8% da meta do governo de construir um milhão de casas até o fim de 2010. Colaborou Paulo Darcie.

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