15/10/2006

Mercado acessível a todos

Fonte: O Estado de S. Paulo

União em grupos torna viável acesso de pequenos e médios empresários ao rentável mercado de carbono

O acesso ao novíssimo e promissor mercado de créditos de carbono começa a ser viabilizado para pequenos e médios empresários. Reunidos em grupos, eles conseguem reduzir os custos iniciais e juntar um volume de créditos suficientes para atrair o interesse dos agentes operadores. “É interessante porque incentiva o trabalho cooperativo”, diz Marco Antonio Fujihara, sócio-proprietário do Instituto Totum de Sustentabilidade, empresa de consultoria criada especialmente parta atender à demanda gerada com a abertura do mercado.

Zap o especialista em imóveisEmpresas de menor porte podem aproveitar oportunidades no mercado de carbono

A Sadia e o Instituto Sadia de Sustentabilidade realizaram em maio a primeira venda de créditos, obtidos por meio da captação de gases de efeito estufa em granjas de suínos da empresa e em propriedades de integrados, pequenos produtores que criam porcos para a Sadia. Os créditos vieram da queima dos gases captados em biodigestores. O comprador foi o European Carbon Fund (ECF), que adquiriu 2,5 milhões de toneladas. O Sistema Sadia de Sustentabilidade, conhecido como “3S”, irá captar 15 milhões de toneladas de carbono em dez anos e é a primeira solução para pequenos. A renda é dividida entre todos os participantes.

A EcoUrbs, uma das empresas responsáveis pela coleta e destinação do lixo da cidade de São Paulo, tem sido sondada por agentes de bancos japoneses e europeus, sobre a produção de créditos nos aterros sanitários. “Estamos pensando em implantar um projeto de seqüestro de carbono no Centro de Tratamento de Resíduos da Zona Leste”, diz Carlos Alberto Santos, diretor-administrativo e financeiro da empresa. O investimento total no aterro será de R$ 150 milhões, financiados pela Caixa Econômica Federal, BNDES e talvez, pelo Unibanco. “Nosso foco ainda está na aprovação ambiental do novo aterro, mas já sabemos que iremos produzir 2,9 milhões de toneladas de créditos de carbono até 2012”, diz. Que valem US$ 29 milhões pela cotação atual, em US$ 10 a tonelada.

A EcoUrbs, embora seja uma empresa de médio porte, pode dispensar a união com outras empresas de saneamento em vista da sua capacidade de produção de carbono. “Também temos a experiência de um dos sócios, que opera o aterro Bandeirantes e já comercializa créditos”, diz Santos.

Expectativas

Um projeto de seqüestro de carbono pode levar o empresário a uma situação no mínimo confusa. “É como contar uma história que foi sem nunca ter sido, ou dizer ao empresário que ele vai ganhar mais quanto menos tiver”, brinca Fujihara.

A dificuldade não é exclusiva dos pequenos e médios e está no ineditismo da proposta: de que países com matriz produtiva limpa vendam créditos aos vilões poluidores, de forma a reduzir a emissão de gases que provoquem o efeito estufa. O gases carbônico e metano, por exemplo.

E a gasolina que mantém o interesse aceso são as expectativas de ganho. Apesar de novo, em 2006 esse mercado deverá movimentar, segundo avaliação do Banco Mundial, US$ 30 bilhões. No caso de países “limpos” como o Brasil, que representa de 10% a 20% desse valor, serão ganhos obtidos com o tratamento do lixo, o que até aqui só gerou gastos.

E para os pequenos , diminuição da distância entre a sua realidade e o universo das bolsas financeiras internacionais. “É muito difícil um suinocultor do interior de Santa Catarina conseguir operar na bolsa de valores de Amsterdã”, ressalva Fujihara.
“E caro. O custo da documentação básica chega a R$ 150 mil”, diz Eduardo Theoto Rocha, proprietário da Fábrica Éthica Brasil, uma consultoria especializada na área.

Para quem não tem experiência, as revistas especializadas e consultorias têm organizado seminários de treinamento. O último aconteceu no final de setembro em São Paulo.

 

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