29/10/2010

Mercado consolida oferta de moradia para comerciais

Fonte: O Estado de S. Paulo

Mercado consolida a tendência de oferta de moradia para áreas tipicamente comerciais. A recíproca também é verdadeira

O servidor público Cesar Vide acaba de fechar a compra de uma unidade no Max Haus Berrini, empreendimento residencial na Avenida Luís Carlos Berrini, o mais emblemático centro corporativo da cidade. Ele pretende alugar ou vender o apartamento. “Decidi investir porque o aluguel do flat aqui está em torno de R$ 7 mil e acredito que qualquer executivo vai preferir um apartamento ao flat”, explica.

E o escritório fica logo ali pertinho (Foto: Divulgação)
E o escritório fica logo ali pertinho (Foto: Divulgação)

Como ele, muitos outros investidores se voltam para empreendimentos que vão na mão contrária da vocação predominante da região. “É a tendência do momento e atende a uma das mais fortes necessidades do cidadão metropolitano: morar perto da escola dos filhos ou do trabalho”, diz o diretor geral da Cyrela São Paulo, Ubirajara Spessotto. Um luxo diante do trânsito caótico da capital paulista.

A pressão do trânsito alterou, por exemplo, o perfil de Alphaville, bairro de Barueri que, segundo o plano urbanístico que o originou, deveria ser preferencialmente residencial, com casas unifamiliares. “A vocação residencial ainda é forte, mas o curioso é que o bairro tem vida própria, pois há oferta de serviços e uma inclinação para ocupação industrial”, diz o diretor comercial da Alphaville Urbanismo, Fábio Vale.

Vale diz que, segundo pesquisa feita em Barueri, 50% de quem mora em Alphaville trabalha na região. “O restante trabalha fora ou em Campinas, que, com o Rodoanel, ficou a uma hora do local.” Ele nega que os moradores do bairro tenham problemas maiores do que os paulistanos com o trânsito. “É mais rápido ir daqui até o shopping Eldorado, do que ir de um bairro a outro em São Paulo”, afirma. Mas reconhece que houve aumento nos lançamentos comerciais na região nos últimos três anos, além de forte verticalização.

Levantamento feito a pedido do Estado pela consultoria imobiliária Urban System, mostra que este ano foram entregues quatro empreendimentos comerciais em Alphaville. Em 2009, não houve entrega de empreendimentos desse tipo e, em 2008, foram apenas dois. “O aumento mais expressivo é da área, de 19,6 mil metros quadrados em 2008 para 81,2 mil m² este ano. Muito mais do que o dobro”, ressalta o geógrafo André Montes da Cruz, consultor da Urban. “Isso ocorre porque a região está atraindo empreendimentos corporativos, voltados para as indústrias que se mudaram para o interior do Estado e precisam de um local próximo da capital”, explica.

São empreendimentos em que as lajes são comercializadas inteiras. “Em geral são alugadas. A Odebrecht investe em grandes corporativos no bairro, que fazem conjunto com o shopping Iguatemi, na esquina das alamedas Xingu e Rio Negro. Vai alugar as lajes.” Além disso, existem dez em lançamento, cinco de lajes corporativas e cinco de pequenas salas comerciais para profissionais liberais, muitos moradores do bairro.

Híbrido – A Cyrela aposta também em empreendimentos híbridos, em que as unidades residenciais são compactas e voltadas para jovens executivos ou casais sem filhos. É assim o Thera Berrini, com uma torre de pequenos escritórios, outra de lajes corporativas e a terceira, de apartamentos. “Como o paulistano tem o hábito de sair da cidade nos fins de semana, esse tipo de moradia se torna interessante. Ele vai trabalhar ao lado de casa e descansar fora, na praia ou campo”, diz Spessotto.

A Cyrela lança empreendimentos com esse perfil há 15 anos. “Temos empreendimentos comerciais na Mooca e Santana, residenciais ou híbridos na Berrini e em regiões preferencialmente comerciais”, diz. O diretor conta que, uma década e meia atrás, esse tipo de empreendimento era uma quebra de paradigma. “Hoje, é natural”, garante.

Segundo o levantamento da Urban System, este ano foram lançadas 1.139 unidades residenciais no distrito do Itaim Bibi, onde está localizada a Berrini, contra 728 em 2009 e 289 em 2008. O valor médio do m² na região é de R$ 7,5 mil, um dos mais altos da cidade.

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