17/10/2008

Mercado de imóveis põe o “”pé no freio””

Fonte: Jornal da Tarde

Setor ainda acredita em crescimento, mas em ritmo bem menor que o visto no ano passado

A desconfiança das construtoras, incorporadoras e do próprio consumidor quanto ao futuro econômico do País diante da crise do setor financeiro mundial já respinga no segmento imobiliário. A expectativa é que, para os próximos meses, o volume de lançamentos seja bem menor do que o ocorrido até o momento. E, diminuindo a oferta de imóveis, sobe o preço dos que já estão concluídos.

É o que acredita o presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), João Crestana. “Acredito que a turbulência na economia internacional deve reduzir a velocidade dos lançamentos. No ano passado crescemos 30%. Neste ano também devemos crescer, mas em um ritmo mais lento, entre 10% a 15%. As empresas do setor imobiliário vão se arriscar menos em planos duvidosos com esta instabilidade, priorizando os projetos mais lucrativos”, analisa.

Com esse movimento, o presidente da entidade acredita que a queda de oferta de imóveis novos deve valorizar os empreendimentos lançados daqui para frente. “Uma empresa que iria lançar 12 ou 13 condomínios, por exemplo, deve reduzir para oito ou nove”, prevê Crestana.

Para o presidente da entidade, o que traz mais tranqüilidade para companhias e consumidor é que o setor é totalmente voltado para o mercado interno, que apresenta nível de emprego, renda e oferta de crédito em expansão até o momento. “Também acredito que o mercado financeiro será mais cuidadoso, mais criterioso para ofertar crédito para o setor imobiliário”, comenta.

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, afirma que os compradores de imóveis estão criando um alarde em torno da crise desnecessário. “Percebemos que há uma expectativa negativa quanto aos negócios em geral. Mas quando se fala de crise no mercado imobiliário dos Estados Unidos, temos que separar muito bem as coisas, pois não está ocorrendo o mesmo aqui, pelo contrário”, afirma.

Crestana e Viana Neto criticam os bancos que reajustaram as taxas de juros para crédito com recursos que não utilizam verba do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou poupança. “Eles foram precipitados em subir os juros”, diz o presidente do Creci-SP. Para o dirigente do Secovi-SP, houve um excesso dos bancos quando resolveram elevar o custo do crédito. “Não foi um movimento de todo o mercado financeiro e não deve ter grandes impactos no setor imobiliário. Acredito que, em breve, essas taxas devem se normalizar, e a confiança no mercado voltará”, diz.  

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