25/05/2008

Mercado imobiliário e sustentabilidade

Fonte: O Estado de S. Paulo
Sergio Castro/AEZap o especialista em imóveisProjeto – Sistemas de coleta seletiva de lixo, tratamento de água e esgoto, captação de águas pluviais são aspectos mínimos fundamentais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A arquitetura sustentável se torna um aspecto cada vez mais primordial na elaboração de projetos para a construção de imóveis das classes C e D, que hoje já podem realizar o sonho da casa própria. Na construção civil, aproximadamente 50% dos materiais de construção são desperdiçados, sendo que 25% se transformam em resíduos e 25% são utilizados para a recuperação da geometria do edifício. Os resíduos da construção, demolição e reformas representam índices altíssimos do volume total dos resíduos urbanos.

Os canteiros de obras são os grandes responsáveis pelo aumento do volume de resíduos e pelos impactos que causam ao ambiente, principalmente por serem levados a lugares inadequados.

Acredito que a utilização de sistemas de energia mais eficientes e menos poluentes, como de coleta e tratamento de água e esgoto, captação de águas pluviais, uma melhor qualidade de ar interno e conforto ambiental, coleta seletiva de lixo, redução da geração de resíduos, são aspectos mínimos fundamentais na hora de definir um projeto.

Regra

O que era visto como um diferencial no mercado imobiliário começa a virar regra. Uma lei aprovada em julho de 2007 obriga novas edificações a terem tubulação adequada para aquecimento solar da água. Em lançamentos cujas unidades tiverem com mais de três banheiros, a instalação é obrigatória.

Certamente, contemplar estes aspectos da sustentabilidade significa causar um impacto muito positivo na comunidade, bairro, cidade, estado, país e conseqüentemente na melhoria de qualidade de vida das pessoas e futuras gerações.

É importante que haja realmente uma preocupação de todos com o meio ambiente. A sustentabilidade tem como princípios básicos três questões: ambiental ideal, a social e a economicamente correta.

A grande vantagem de entender e trabalhar na direção de nossos ecossistemas é que podemos desfrutar as necessidades presentes sem comprometer a habilidade das gerações futuras em satisfazerem a si próprias.

Porém, todo esse trabalho só terá efeito real se houver conscientização da sociedade em fazer com que isso aconteça. Esses conceitos mínimos, feitos em grande escala, não somente do lado de dentro dos empreendimentos, mas também fora dos portões farão com que nossos ecossistemas entendam que estamos trabalhando em sua direção e não contra eles.

Todos nós podemos incorporar em nossas vidas um padrão de sustentabilidade inicial e perceber que, ao longo dos dias, semanas, meses e anos, esse mesmo processo já será um hábito.

Abordar, portanto, o desenvolvimento sustentável na construção civil é tornar imprescindível a utilização de aspectos mínimos para a sobrevivência não somente para as empresas sob o ponto de vista do mercado, como também, do compromisso social e de toda a humanidade.

Dessa forma, todos passarão a usufruir recursos simples e urgentes, o que dará uma nova realidade para a arquitetura e para a humanidade nos próximos anos.

Temos que ser protagonistas deste grande cenário e transformar a sustentabilidade em uma escola de vida.

* Gláucio Gonçalves é arquiteto e fundador do Espaço Brasileiro de Arquitetura (EB-A), com formação técnica pelo Liceu de Arte e Ofícios de São Paulo

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