18/03/2007

Mercado investe em linhas de crédito para população com renda mais alta

Fonte: O Globo

Expectativa é elevar financiamento do setor de 2% para 15% do PIB

Uma vantagem para os bancos do uso de recursos livres é que eles conseguem atingir também a camada da população mais abastada. O diretor de Crédito Imobiliário do HSBC, Roberto Sampaio, conta que o banco financia imóveis com valor acima de R$200 mil com taxas prefixadas em até dez anos. Neste caso, o juros são estipulados em 1% ao mês, ou 12,68% ao ano.

Nas modalidades do SFH em geral, o foco se volta para os imóveis mais baratos e que acabam recebendo taxas menores, de 8% ao ano mais a variação da TR — que está hoje em torno de 2% anuais.

— O nosso desejo maior é trabalhar só com recursos livres — resume Sampaio.

Oferta de crédito em relação ao PIB ainda é muito baixa

O superintendente de Planejamento Financeiro da Caixa Econômica (CEF), Fernando Magesty, avalia que o crescimento da oferta de crédito imobiliário é importante, inclusive, para gerar mais empregos via construção civil. Mas faz um alerta contra práticas que alguns bancos adotam: diz que o consumidor deve estar atento, por exemplo, quanto a exigências como abrir conta e virar cliente da instituição que oferece o crédito. Ele acha que, com o uso de recursos livres, que geram novas formas de empréstimos, essa prática pode crescer:

— É uma espécie de venda casada que, na ponta do lápis, pode não valer a pena.

Magesty diz que a CEF não exige a fidelização dos clientes. Mas, de fato, quem vai a uma agência da Caixa pedir um financiamento sabe que, para fazer o contrato, é preciso abrir uma conta. Depois, se quiser, pode até fechar e pagar a prestação via boleto bancário. Só que, admitem fontes da CEF no Rio, o banco costuma explicar ao cliente que o débito em conta é mais seguro. E, normalmente, assim é feito.

Especialistas, em geral, ressaltam que o crescimento dessa modalidade de crédito é positiva, mas lembram que a oferta de financiamento habitacional ainda é acanhada no Brasil. Em relação ao PIB, representa só 2%. Em Portugal, a relação fica em torno de 52% e, na Espanha, de 46%. Mesmo em países emergentes, esse crédito é mais desenvolvido do que aqui: no México é 14% do PIB; e, no Chile, de 13%.

A expectativa é de crescimento acelerado dessa oferta. Em 2006, o governo investiu em habitação R$14,1 bilhões, e os bancos privados, acima do exigido por lei: R$6,2 bilhões.

— Hoje nossa oferta de crédito imobiliário em relação ao PIB é de 2%, mas a proposta do presidente Lula é passar para 15% em quatro anos. Ou seja, o que hoje são R$20 bilhões, passaria para R$300 bilhões — destaca Osvaldo Correa Fonseca, diretor-geral da Abecip. (

Colaborou – Luciana Calaza

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