28/08/2008

México dá o caminho da casa própria

Fonte: Diário de São Paulo

Modelo habitacional mexicano está sendo estudado e adaptado no Brasil para reduzir o déficit habitacional

São Paulo – Nos últimos anos, o México empreendeu uma verdadeira revolução na área habitacional, inspirando Governo e construtoras brasileiros. Entre os diversos fatores que fizeram o modelo mexicano funcionar estão a produção de casas em grande escala – o que barateia a produção – e o subsídio no financiamento, que atende à baixa renda. O modelo está sendo estudado e adaptado no Brasil para reduzir o déficit habitacional. Um caminho longo. Somente em 2006, o déficit atingia 7,964 milhões de moradias.

Alguns empreendimentos em grande escala, à la mexicana, já começam a surgir por aqui. Em novembro, será lançado em Cotia (SP), o Bairro Novo Cotia, um conjunto residencial com 2.386 unidades, entre casas de dois e três quartos, além de apartamentos de dois dormitórios. Um verdadeiro bairro. Serão 75 condomínios com infra-estrutura entregue: redes de água e esgoto, coleta de lixo, área comercial com padaria, mercado e farmácia. No México, os conjuntos também chegam ao trabalhador com infra-estrutura, mas são ainda maiores, chegam a comportar 60 mil casas.

O projeto é da Bairro Novo, empresa criada pela Gafisa, especialista em projetos imobiliários, e Odebrecht, que possui experiência em implementação de infra-estrutura em grandes áreas.

– A produção em escala e a industrialização do processo barateiam o negócio. Além disso, o terreno mais afastado do grande centro contribui- explica o presidente da empresa, Roberto Senna.

Apartamentos e casas são vendidos a partir de R$ 60 mil.

Mais subsídio

Outro mecanismo que foi primordial para o modelos dos hermanos funcionar é o subsídio – ajuda financeira que o Governo dá ao trabalhador de baixa renda na compra da casa. Aqui, ele existe, mas funciona de forma tímida e não chega à toda população.

– Para atender à essas famílias de baixa renda precisamos de uma política de subsídio. Essa população não tem condições de pagar – avalia José Pereira Gonçalves, superintendente-geral da Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário (Abecip).

Cerca de 93% do déficit de 7,964 milhões de moradias está concentrado em famílias com renda até cinco salários-mínimos.

Proposta em análise

Uma proposta em análise é o subsídio à moradia com vinculação dos orçamentos da União, estado e prefeitura.
O analista de sistemas Alan Amaral Camargo, de 30 anos, ganha por mês cerca de oito salários-mínimos (R$ 3.320). Para ele, a compra do imóvel onde irá morar com a futura mulher Daniela Ferutti, de 26 anos, só saiu depois de muita pesquisa.

– Queria ficar em São Paulo, mas o preço dos imóveis são muito altos. O mesmo que comprei em Cotia, por R$ 65 mil, saía por R$ 200 mil – conta.

Para driblar o problema, decidiu olhar imóveis em locais mais afastados, mas com fácil acesso. Camargo comprou uma unidade no Bairro Novo Cotia, inspirado no modelo mexicano.
– O ponto ruim é justamente a distância, mas é um bom custo benefício. Também fiquei satisfeito com a construção, o material é bem durável – avalia.

Como os empreendimentos são em grande escala, foi desenvolvido um método produtivo industrial. Nele, as construções são feitas com moldes, onde é aplicado concreto. Os moldes já têm previsão para a parte elétrica e hidráulica, o que reduz o tempo da construção e também o custo.
O presidente da Bairro Novo, Roberto Senna, confirma.

– Deixamos prontas as casas em três dias – explica.
Além disso, a Bairro Novo fechou convênio com uma rede de supermercados, que irá instalar uma unidade na entrada do empreendimento.

A facilidade no pagamento também atraiu Camargo.
– Dei 10% de entrada no imóvel e vou financiar 90% a partir de novembro, quando recebo as chaves. A prestação vai ficar em R$ 700, em um financiamento que não é muito longo, de doze anos – afirma ele.

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