22/06/2007

Mooca fabril some com o “”boom””

Fonte: O Estado de S. Paulo

Construtoras incorporam indústrias e expandem o mercado imobiliário em bairro tradicional

Paulo Libert/AEZap o especialista em imóveisHistórico prédio do Cotonifício Crespi, do início do século 20, abriga hoje uma unidade do Hipermercado Extra

Os tijolos de barro que sustentaram por longas décadas a vocação fabril da Mooca estão virando história. A nova tendência na paisagem urbana do tradicional bairro paulistano são o concreto e os mais modernos materiais de construção. A desindustrialização em curso na região tem alimentado um mercado imobiliário superaquecido e ávido por terrenos disponíveis para investimento. As construtoras estão incorporando áreas ociosas antes ocupadas pelas fábricas para erguer prédios residenciais ou condomínios verticais.

Somente nos últimos dois anos, segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), a Mooca recebeu 15 lançamentos residenciais. Ao todo, são 1.014 novas unidades habitacionais no bairro. E os empreendimentos concentram-se, justamente, na chamada ‘parte baixa’ da Mooca (região ao redor da ferrovia), até hoje reconhecida por ter contemplado inúmeras indústrias metalúrgicas, químicas e têxteis, calçados e móveis.

“As indústrias estão deixando o bairro e migrando para fora do centro expandido da cidade. Com isso, a Mooca está ganhando uma vocação residencial e de serviços. Os galpões das fábricas estão sendo transformados em supermercados ou armarinhos, e os grandes espaços que restam são alvos dos empreendimentos imobiliários ”, diz o subprefeito e morador da Mooca, Eduardo Odloak.

De acordo com estimativa da própria Subprefeitura, o número de unidades oferecidas pelos lançamentos e o de imóveis em empreendimentos com previsão de entrega já para 2008 somam três mil novas moradias em todo o bairro. Ou seja, nos próximos anos, os mooquenses devem receber, pelo menos, 12 mil vizinhos. “Acredito que esse número deva ser ainda maior. Ainda vemos construtoras comprando fábricas para investir em prédios residências. O processo de verticalização está bem acelerado.”

Migrantes e regressos

Conhecida por ser um reduto de famílias italianas tradicionais, que chegaram a São Paulo entre os séculos 19 e 20, a Mooca passa por um processo de rejuvenescimento, tanto estrutural quanto do perfil de seus moradores. E segundo especialistas no mercado local, o boom imobiliário chega para acelerar e consolidar estas alterações. “Vamos presenciar uma mudança nesse panorama”, afirma o diretor-presidente da Lello, José Roberto de Toledo.

Segundo ele, os novos mooquenses serão formados por moradores migrantes de outros bairros da própria Zona Leste, como Vila Prudente, Vila Guilherme, São Miguel e Penha, e pelas gerações mais novas que deixaram a região e agora devem voltar atraídos pelas novos investimentos no bairro”, acredita.

Para Fernanda Parizotto, diretora de marketing da construtora Tibério, havia antes um preconceito com relação aos costumes tradicionais característicos do bairro. “Hoje, está havendo um resgate dessas raízes. O que antes era fora de moda, agora, virou um charme que atrai moradores de outros bairros”, conta ela.

“A Mooca ficou muito tempo dormindo e virou um bairro envelhecido. Parece que agora os filhos estão voltando para o bairro onde foram criados”, acrescenta o diretor de marketing da imobiliária Rossi, Felipe Rossi. Segundo dados da Subprefeitura da Mooca, o bairro registrou uma queda demográfica considerável nas últimas décadas e hoje soma pouco mais de 63 mil habitantes, dos quais 17% são idosos.

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