25/02/2007

Moradia popular no lugar de hotel

Fonte: O Estado de S. Paulo

Após reforma completa, antigo Hotel São Paulo, no centro, será entregue a integrantes do Fórum dos Cortiços

Helvio Romero/AEZap o especialista em imóveisPrivilégio – Unidades têm vista do centro, acabamento em mármore restaurado e estão perto do metrô

Nos anos 60, o espigão localizado na Praça das Bandeiras, número 15, no centro, foi o luxuoso Hotel São Paulo – que já teria hospedado até Nat King Cole. No mês que vem, o mesmo prédio completamente reformado será entregue para 152 famílias ligadas ao movimento do Fórum dos Cortiços. Este é um exemplo de retrofit realizado com sucesso em São Paulo.

Nesse hiato de tempo – entre a fase áurea do hotel e sua transformação para unidades habitacionais -, o edifício já mudou de nome várias vezes, acompanhou a decadência do centro, foi abandonado e invadido por famílias de sem-teto na década de 1990. Os próprios ocupantes reivindicaram sua reforma ao poder público ante ao extremo estado de degradação.

O edifício foi então desapropriado pelo Fundo Municipal de Habitação e teve a reforma financiada pela Caixa Econômica Federal. “Tínhamos conhecimento do projeto e a avaliação do custo da reforma e bancamos”, afirma o gerente regional de Negócios e Governos da Caixa, Rogério Gagliardi.

Assim que o dinheiro foi liberado, a construtora Seta – que venceu a licitação – iniciou as obras. Entre projeto e reforma, foram quatro anos. O resultado são apartamentos com aparência de novos.

Helvio Romero/AEZap o especialista em imóveis

Tudo foi substituído: desde as instalações hidráulicas, elétricas até elevadores. Para que pudessem ser transformadas em habitação, as unidades tiveram de ser todas redimensionadas. Há 18 tipos diferentes de plantas entre quitinetes e apartamentos de um e dois dormitórios que vão de 25,7 a 49, 81 metros quadrados.

Todas as unidades ganharam janelas, portas, pisos, azulejos, louças e pinturas novos. Os moradores terão ainda uma área de lazer comum na cobertura, com espaço para festas ao ar livre. Alguns terão uma vista privilegiada do centro, do Viaduto do Chá, Shopping Light e Vale do Anhangabaú.

Algumas características originais do prédio foram preservadas, como a fachada, a cerâmica dos corredores das áreas comuns e o mármore do hall dos elevadores. Dos 23 andares do prédio, os dois primeiros continuam do poder público e devem abrigar um posto de saúde e uma creche.

Os ocupantes não vão morar de graça. Eles foram contemplados pelo Programa de Arrendamento Residencial (PAR), da Caixa. Cada família vai pagar por mês, em média, R$ 215,00, e a propriedade continua sendo do banco. Não é aluguel e nem financiamento. A taxa dá o direito de uso ao contemplado.

Hélvio Romero/AEZap o especialista em imóveis

Ao fim de cinco anos, caso tenha pago as contas em dia, o morador terá a opção de compra.

A aquisição do imóvel pode ocorrer por meio de financiamento ou por recursos próprios, inclusive usando a conta individual do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para quitar uma parte. O prazo máximo do arrendamento é de 15 anos.

 

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