25/04/2008

Morando em uma escultura

Fonte: Jornal da Tarde

Imóveis com relevância arquitetônica ou histórica têm público cativo e categoria própria

Rogério Assis/AEZap o especialista em imóveisApartamento à venda em prédio projetado pelo ucraniano-brasileiro Gregori Warchavchik, que trouxe o modernismo para a cidade de São Paulo

Nem todo mundo quer morar em um apartamento padrão onde o número de vagas na garagem, itens de lazer ou de suítes são os atributos mais importantes do imóvel. Existe um público que opta por morar em unidades que têm alguma importância na história da arquitetura da cidade, na maioria das vezes abrindo mão de algumas facilidades que os imóveis mais novos oferecem.

E foi para este público, que procura uma das jóias arquitetônicas da cidade, que a imobiliária Axpe criou em 2003 – ano de sua fundação – a categoria de imóveis ‘vintage’.
“Imóveis vintage são aqueles de qualidade e interesse arquitetônico e que, por isso, são considerados parte da história e do patrimônio cultural da cidade”, diz o sócio da Axpe José Eduardo Cazarin.

Na categoria vintage da carteira de imóveis da Axpe é possível encontrar casas modernistas, casas de vila e casas e apartamentos em edifícios projetados pelos mais importantes arquitetos que atuaram em São Paulo como o paulistano João Artacho Jurado, o curitibano João Vilanova Artigas ou
ucraniano Gregori Warchavchik sem precisar garimpar muito.

O apartamento que ilustra esta reportagem (fotoacima) é um deles. O imóvel fica no centro de São Paulo, em um prédio projetado por Warchavchik na década de 1950. “O arquiteto Gregori Warchavchik formou-se na Itália e foi um dos arquitetos que introduziu o modernismo na arquitetura em
São Paulo. Por isso, é importante”, diz José Eduardo de Assis Lefevre, professor de História da Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo
(USP).

Além de estar em um prédio que pela importância arquitetônica
é uma obra de arte, o apartamento à venda na Axpe foi todo
reformado e tem na sala uma escultura da artista italiana naturalizada brasileira Maria Bonomiem uma das paredes. O apartamento de 320 metros quadrados de área útil está à venda por R$600 mil.

Por ser em mais antigos, os imóveis vintage em geral têm menos infra-estrutura do que os apartamentos mais novos como vagas de garagem (a maioria tem apenas uma e há aqueles que sequer têm garagem no prédio), maior número de banheiros nos apartamentos, suítes e infra-estrutura de lazer. Mas, segundo Cazarin, da Axpe, essas características não
espantamos compradores.

“Quem quer morar em um imóvel desses abre mão de certas
coisas que são importantes para outras pessoas. Tenho uma cliente que comprou um apartamento em um prédio projetado por Rino Levi que reformou o apartamento, mas não quis fazer uma suíte para não mexer na planta original do imóvel, na obra do arquiteto. Para ela, sair do quarto para ir ao banheiro não era um problema. Problema seria descaracterizar o imóvel”, explica Cazarin, que vende imóveis a partir de R$300 mil e
faz uma seleção criteriosa para a carteira da imobiliária. “Já recusamos alguns imóveis porque entendemos que não eram para o nosso público”,completa.

Para o professor Lefevre, apesar da diferença de estrutura desses imóveis em relação aos novos, eles são únicos. “A pessoa pode abrir mão de uma suíte, por exemplo, até porque os imóveis vintage tem características únicas, como uma janela em um apartamento que visitei de Franz Heep no Largo do Arouche, com vista para a copa das árvores. Essas coisas são
especiais”, diz. Para o arquiteto, o interesse por esses imóveis é positivo e promove a preservação da história da cidade.

 

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