08/12/2008

Mosaico português com os dias contados no centro da capital

Fonte: Jornal da Tarde

Proposta é substituir o piso, que tem 30 anos e é a cara da região, por um calçamento que cause menos transtornos aos pedestres, como os buracos, e necessite de menos reparos, segundo o subprefeito da Sé, Amauri Pastorello

Trinta anos depois de construídos, os 20 calçadões do centro devem ser reformados. A proposta é substituir o mosaico português – uma característica que dá a cara para essa região. Porém, é um dos fatores que provocam mais reclamação dos pedestres. O Vale do Anhangabaú não entraria nessa reforma.

De acordo com o subprefeito da Sé, Amauri Pastorello, a idéia é substituir o mosaico por um tipo de piso que cause menos transtorno e que não necessite de reparos constantes, muitas vezes sem efeito. “Gastamos cerca de R$ 1,5 milhão por ano e não conseguimos manter os calçadões”, afirma, referindo-se aos reparos quase diários, mas que ele considera ineficazes.

Além disso, é um calçamento considerado frágil para suportar o peso dos veículos que têm autorização para circular pela região – carros-forte, caminhões de coleta de lixo e os próprios veículos que transportam material e funcionários para os reparos nos calçadões.

Quarenta e quatro homens se dividem em duas equipes para fazer a manutenção diária dos calçadões dos chamados centro velho e novo – os trabalhos custam aos cofres municipais R$ 125 mil por mês, segundo Pastorello.

Pesquisa da Associação Viva o Centro, em parceria com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes, divulgada no mês passado, apontou que os buracos são a maior reclamação dos pedestres com relação aos calçadões.

OPÇÕES – Há, por enquanto, duas hipóteses para essa região, por onde passam diariamente entre 1,5 milhão e 2 milhões de pessoas: a primeira, é substituir o piso e construir canaletas técnicas, por onde passaria toda a rede de serviço – como cabos de TV e telefônicos, tubulação de gás e fibra ótica. “Essa é a opção mais cara, mas é a solução que São Paulo merece”, afirma Pastorello.

A outra é mais simples: só substituir o mosaico por outro tipo de calçamento. Só para o piso, sem contar o projeto e a construção das canaletas, seriam gastos entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Nenhuma das opções ficaria pronta em menos de 24 meses. Pelos cálculos do subprefeito, com todos os trâmites legais ultrapassados, a obra poderia ser iniciada em 2010. “Não é uma coisa para curtíssimo prazo.”

Mesmo com um piso novo, o mosaico, também conhecido como pedra portuguesa, seria preservado em pequenos trechos dos calçadões, a exemplo do que foi feito com os paralelepípedos perto do Teatro Municipal.

Mas mexer em um dos ícones da cidade pode custar alguns dissabores à Prefeitura. A consulta pública para substituir o mosaico português das calçadas da Avenida Paulista, por exemplo, começou em 2002 e as obras só foram iniciadas no ano passado, depois de muita briga.

Já o presidente da Associação Preserva SP, Jorge Eduardo Rubies, discorda da necessidade da obra. “Sou contra. Esse desenho já tem 30 anos e é praticamente um patrimônio histórico da cidade. Acho um desperdício de dinheiro”, diz. Ele não descarta acionar a Prefeitura judicialmente para barrar a medida.

Para o superintendente da Associação Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida, a substituição do piso é, sim, necessária. “É uma área preferencialmente para pedestres, mas recebe trânsito de veículos e alguns deles pesados”, afirma. Para ele, é necessário não só trocar os mosaicos por outro material, como também delimitar uma faixa exclusiva para o trânsito de veículos.

“O problema é a qualidade. Os calçadões têm de ser bonitos”, pondera o urbanista Jorge Wilhem, secretário de Planejamento na gestão Marta. “Tem de ser bom para andar, prático no sentido de ser removido (para reparos e obras no subsolo) e ter qualidade”, diz o arquiteto, que não critica o piso atual.

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