14/11/2008

Móveis de roupa nova

Fonte: O Estado de S. Paulo

Estilistas fazem incursões no universo do design e criam estampas de impacto, reflexo do ideário de cada um

São Paulo – Ícone do design moderno, a célebre poltrona Swan, do dinamarquês Arne Jacobsen – ainda hoje um best seller em todo o mundo -, em seus 50 anos, já transitou por diversos acabamentos (do couro ao tecido), viajando por tonalidades ácidas, além de outras nem sequer sonhadas por seu criador. Para espanto dos puristas, poucas vezes ela exibiu tamanha exuberância como na atual versão, em cartaz na Micasa.

Alvo das atenções da estilista Adriana Barra desde suas primeiras incursões no mundo do design, a cadeira estofada de Jacobsen acaba de ser repaginada. Ou, em outras palavras, ganhar roupa nova – ela veste hoje um tecido de revestimento inédito, assinado por Adriana, designer cultuada pela habilidade de investigar o mundo natural e dele extrair um raro repertório de estampas para suas roupas.

“Não é só na maneira de se vestir que as pessoas querem exprimir sua personalidade. Sinto que hoje essa necessidade surge também na hora de escolher os móveis da casa”, afirma a estilista, para quem a tarefa de “vestir móveis” vai muito além da simples afirmação de um estilo. “Ao incorporar meu traço ao desenho desses clássicos, acabo ultrapassando os limites da moda e do design e entro no terreno da intervenção artística”, analisa.

Opinião compartilhada por Houssein Jarouche, proprietário da Micasa, que, visivelmente satisfeito com a repercussão da primeira coleção de tecidos da estilista, resolveu encomendar outras estampas para diferentes suportes de sua loja: de estofados a portas de geladeira. “As atuais tecnologias de impressão, aliadas à criatividade dos estilistas, imprimem sangue novo às formas sugeridas pelos designers. O que é fundamental em um mercado como o nosso, sempre em busca de inovação”, diz ele.

Fauna e flora nacionais
Em alta também no mundo dos interiores, investir em estampas de forte impacto, inspiradas na natureza, tem sido procedimento adotado pelos decoradores. Sobretudo diante da tarefa de repaginar peças de época – sofás, camas e poltronas em madeira, nos quais o desgaste visual causado pela ação do tempo se faz sentir com força. “Construímos as imagens a partir da escala e das proporções do sofá. Aí, ele deixa de ser do passado para incorporar, definitivamente, traços do presente ao seu desenho”, explica a artista plástica Gina Elimelek, da Tergoprint, que, em parceria com a designer Patrícia Suplicy, criou desenhos exclusivos para revestir um sofá antigo, no quarto decorado por Renata Copolla para a última CAD (Mostra Casa Arte & Design).

Com estampas baseadas na representação da flora e fauna brasileiras, cada matriz gráfica é explorada nos tecidos para atender a um tipo de aplicação: parede de fundo, almofadas ou sofá. “O nosso trabalho é conseqüência de um processo que começa com um esboço e cujo resultado depende da cooperação de todos os envolvidos na produção, do laboratório de cores à oficina de impressão”, realça Gina.

Padrões desconexos
Desde sempre apaixonado por arquitetura, o estilista André Lima é outro que dá início a uma aproximação efetiva com o universo da decoração, tendo como porta de entrada o desenvolvimento de tecidos. Atendendo ao convite da Firma Casa, Lima acaba de lançar uma linha completa de móveis que tem como carro-chefe uma coleção exclusiva de estampados. Caso, por exemplo, do sofá concebido em módulos com estampas diferenciadas para ampliar as possibilidades de articulação. Ou ainda dos garden seats, bancos em laminado apresentados em cores neutras para atuar como contraponto à vibração intensa sugerida pelos tecidos – uma coleção de linhos, em temas que traduzem bem o universo autoral do estilista: borboletas, samambaias, cerâmica marajoara, palhas e palmeiras, além de sete cores lisas – selecionadas por André para “conversar” com suas estampas e dois tapetes rigorosamente geométricos.

“A variação de padronagens permite que eles sejam usados em composições coordenadas ou descoordenadas. Aliás, esse último é o tipo de arranjo que mais recomendo”, assume o estilista.

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