06/01/2008

Mudam condições de crédito

Fonte: O Estado de S. Paulo

Caixa reduz juros e retira restrições de renda para concessão de financiamento; bancos privados operam FGTS

Patrícia Santos/AEZap o especialista em imóveisPaciência – Segundo especialista, quem não está com pressa deve aguardar pela acomodação dos juros

Este ano deve ser marcado por mudanças importantes nas regras do financiamento habitacional. A partir deste mês, a Caixa Econômica Federal (Caixa) derruba as limitações de renda para concessão de crédito imobiliário com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e reduz em 0,5% a taxa de juros do financiamento à baixa renda. Ainda, ao longo do ano, bancos privados devem começar a operar recursos do fundo para empréstimos habitacionais, a juros mais baixos que os da poupança.

Famílias com rendimento mensal acima de R$ 4,9 mil, que antes não tinham acesso ao recurso do fundo e por isso pagavam juros anuais de 10,16% mais Taxa Referencial (TR), terão uma linha de crédito com juros de 8,66%. Para faixas de renda até R$ 4,9 mil, a taxa cai de 8,16% para 7,66%. Porém, para ter direito às taxas reduzidas, é necessário que o mutuário seja trabalhador com conta vinculada ao FGTS há mais de três anos. Famílias com rendimentos até R$ 1,8 mil continuam pagando juros de 6% e obtêm subsídio do governo. As mudanças ainda flexibilizam os limites para o valor do imóvel financiado. Antes, os recursos do fundo financiavam unidades até R$ 130 mil. Agora, o valor foi atualizado para até R$ 350 mil.

Essas mudanças devem provocar impacto significativo no mercado imobiliário, pois facilitam o acesso à casa própria à classe média. No entanto, segundo recomenda o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, os interessados devem conter a euforia e aguardar um pouco mais para encarar um financiamento. “Só estamos no início de um processo que vai incentivar mais ainda a competição bancária. Derrubada mais uma barreira, as operações tendem a ficar mais baratas daqui para frente”, prevê.

Para quem não está com pressa, segundo ele, o melhor a fazer é aguardar pela acomodação das taxas. Simulações feitas por Oliveira, mostram que a paciência pode render economia. “Por se tratarem de financiamentos de grandes valores com prazos muito longos, qualquer ponto porcentual a menos tem grande impacto na conta final.”

A redução dos juros oferecida pela Caixa vai representar uma economia de 9,17% do valor total a ser pago numa casa ou apartamento de R$ 350 mil, sendo R$ 245 mil financiados em 30 anos, de acordo com Oliveira. O total pago pelo financiamento passa de R$ 666.469,75 para R$ 605.378,71: uma redução de R$ 61.091,04.

Competição

Em dezembro do ano passado, o Itaú tornou-se o primeiro banco privado a operar recursos do fundo para habitação. Até então, apenas a Caixa efetuava o repasse. As linhas de crédito imobiliário oferecidas pelo Itaú são para imóveis de até R$ 120 mil. Os juros anuais, a partir de 7,93% mais TR, anteciparam a redução anunciada pela Caixa e são inferiores aos do crédito com recursos da poupança. Essa taxa é válida exclusivamente para os cotistas do fundo. Os demais, pagam juro de 8,47%. A novidade acirra ainda mais a competição bancária. O Banco Real, por exemplo, já anunciou que vai operar os recursos do FGTSD a partir do primeiro trimestre de 2008. Bradesco e Santander também estudam entrar no segmento.

Essas linhas de crédito concorrem diretamente com as oferecidas por bancos que operam recursos da poupança, cuja média dos financiamentos é de R$ 92 mil, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). No entanto, conforme o presidente da entidade, Luiz Antonio França, as mudanças não devem prejudicar as operações das entidades financeiras. “Há bancos que já operam a TR mais 9%”, afirma. “Há quase um ano, o mercado já é criativo dentro deste tema”, conclui.

O que mudou

RENDA – Famílias com renda acima de R$ 4,9 mil terão acesso ao crédito habitacional com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os juros são mais baixos que os das linhas oferecidas com recurso da poupança. Na Caixa, essa faixa de renda que antes pagava 10,16% ao ano, mais Taxa Referencial (TR), passa a pagar 8,66% anuais mais TR;

VALOR – Valor máximo do imóvel financiado com recursos do fundo subiu de R$ 130 mil para R$ 350 mil. Para linhas voltadas à baixa renda, o imóvel novo poderá ser 100% financiado na Caixa. Para faixas de renda superiores, o limite de financiamento é de 80%, sendo o máximo financiado de R$ 245 mil;

JUROS – As taxas de juros das linhas da Caixa voltadas à baixa renda caem 0,5 ponto porcentual a partir de janeiro. O benefício vale apenas para trabalhadores cotistas do fundo há pelo menos três anos;

BANCOS – Entidades financeiras privadas começam a operar recursos do Fundo de Garantia para oferecer linha de financiamento habitacional. As taxas de juros são menores do que as linhas oferecidas em que os recursos vêm da poupança.

 

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