17/12/2006

Mudança de patamar no mercado imobiliário

Fonte: O Globo

Cresce 53% o número de unidades financiadas com recursos da poupança

O orçamento previsto pela Caixa Econômica Federal (CEF) para a habitação em 2006 era de R$10,3 bilhões. Mas a expectativa hoje é fechar dezembro com R$14 bilhões investidos. Há 18 anos a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) não superava as cem mil unidades financiadas com recursos da poupança. A entidade, no entanto, estima fechar 2006 com 115 mil unidades, 53% acima do registrado em 2005. Esses dados dão uma pequena mostra do comportamento do setor imobiliário este ano e explicam o otimismo em relação a 2007.

Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, estima que de 2007 a 2010 serão investidos R$470 bilhões na construção residencial como um todo (obras, reformas, crédito etc.). Entre os fatores que explicam as projeções, dizem especialistas, estão maior segurança jurídica nos contratos, economia estabilizada, juros em queda, empresas mais capitalizadas após a abertura de capital e demanda reprimida por habitação. Além da descoberta, pelas construtoras, de novos nichos de atuação.

– Desde 1988 o volume de cem mil unidades não era ultrapassado. A previsão para 2007 é chegar a 140 mil unidades, que representam recursos em torno de R$10 bilhões — diz o diretor-geral da Abecip, Osvaldo Correa Fonseca.

Segundo o vice-presidente de Desenvolvimento Urbano da Caixa Econômica, Jorge Hereda, 2007 deve registrar o mesmo fenômeno ocorrido este ano, quando o volume de contratações foi uniforme ao longo dos 12 meses.

– Não tivemos, como de costume, um primeiro trimestre desaquecido. E essa realidade deve se repetir no ano que vem — acredita Hereda, para quem a atenção dispensada pelo governo federal à questão habitacional dá o tom da importância do segmento.

Hereda prevê, ainda, o aumento do interesse de empresas estrangeiras em estabelecer parcerias com companhias brasileiras. Como a demanda por moradias é grande e a oferta de crédito, crescente, frisa, o cenário é favorável:

– Os investidores estrangeiros estão olhando para o mercado nacional com outros olhos devido ao fim do boom imobiliário nos Estados Unidos e ao potencial de crescimento do setor no Brasil.

A diversificação dos negócios é outro fator que promete se consolidar no ano que vem, segundo o vice-presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), José Conde Caldas. A oferta escassa de terrenos na Zona Sul e a demanda reprimida por moradias em bairros até recentemente fora do eixo de interesse das construtoras criaram um novo panorama para o segmento:

– Construtoras com tradição de negócios no mercado de luxo tiveram que aprender técnicas construtivas (de qualidade, mas de preços mais baixos) para atender ao mercado que tem potencial para comprar imóveis que custem até R$120 mil.

O vice-presidente da Ademi adianta que o potencial de São Cristóvão, por exemplo, ainda é grande:

– Existem hoje pelo menos dez empresas grandes com terrenos comprados ou em fase de negociação para lançar empreendimentos na região no próximo ano.

O presidente da CHL, Rogério Chor, confirma a tese. A construtora lançou oito empreendimentos este ano – sendo um na Lapa e outro em Jacarepaguá – e estima lançar outros 11 no ano que vem, sendo dois deles, de grande porte, na Zona Norte da cidade:

– É preciso descobrir novas áreas de atuação, ir aonde a demanda está – assinala Chor, que se associou ao Banco Pactual, um dos que está puxando a fila de quem, para crescer, resolveu apostar em parcerias. – Devemos fechar este ano com valores vendidos 25% acima de 2005. O mesmo percentual estimado para o ano que vem.

A RJZ-Cyrela, de Rogério Zylbersztajn, foi outra que abriu capital e passou a apostar em novos nichos. A companhia vai fechar o ano com volume de vendas na casa de R$1,5 bilhão e estima crescimento de 30% em 2007. Para Zylbersztajn, o foco estará voltado para uma clientela com renda familiar mensal entre R$4 mil e R$8 mil:

– Estamos apenas esperando aprovação da prefeitura para lançar, já no primeiro semestre do ano, empreendimentos em Botafogo, na Barra e no Méier.

Os últimos dados da Secretaria municipal de Urbanismo sobre o número de licenças concedidas para construção em 2006 são referentes ao primeiro semestre do ano: 359. Em todo o ano anterior, foram 793 licenças. Segundo o secretário municipal de Urbanismo, Augusto Ivan, em 2007 deve se consolidar o interesse por bairros como Taquara, São Cristóvão, Centro, Guaratiba, Campo Grande e Santa Cruz, principalmente no que se refere a imóveis para as classes média e média baixa.

O superintendente da Caixa no Estado do Rio, José Domingos Vargas, acredita que, assim como este ano, a oferta de crédito não será problema em 2007. Se a projeção no estado é fechar 2006 com R$1,050 bilhão em recursos aplicados em 27 mil unidades, a perspectiva para 2007 é chegar a R$1,5 bilhão em 40 mil unidades. O foco, diz Domingos, continuará centrado na população de baixa renda, que é responsável por 75% do total investido:

– A nossa expectativa é que, a exemplo do que aconteceu este ano, o orçamento estimado para 2007 venha a ser superado.

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