08/08/2008

Mudança que traz leveza

Fonte: O Estado de S. Paulo

A arquiteta Suzy Melo elimina os excessos e confere visual limpo à casa de uma artista plástica, em Alphaville

 

Zeca Wittner/AEZap o especialista em imóveisA lareira em mármore travertino romano tem esquadrias e relevos esculpidos na pedra

SÃO PAULO – Embora a área social desta residência em Alphaville tivesse metragem privilegiada (125 m²), os ambientes eram quase opressivos devido ao excesso de elementos visuais. Não bastassem a lareira de linhas pesadas, as vigas falsas no teto e o bar de alvenaria, que ocupava o centro do living, o piso tinha faixas alternadas de madeira e azulejos de cerâmica, “o calcanhar de Aquiles da casa”, na opinião da arquiteta Suzy Melo, responsável pela obra de renovação do imóvel. A proprietária, a artista plástica Elaine Pessoa, adiou ao máximo a troca daquele revestimento, considerando o desgaste que a obra causaria e as mudanças que viriam a seguir, como a reforma das paredes e a substituição do gesso do teto. “Mas, como precisava de um ateliê maior, acabei criando coragem para mexer no resto da casa”, conta ela.

Em lugar da combinação de cerâmica e madeira no piso, a arquiteta optou por três tipos de porcelanato (City Caramel, Simplesmente Bianco e City Fendi, da Portobello, respectivamente, R$ 189,90, R$ 279,90 e R$ 189,90 o m²). “O material isola a umidade que vem do terreno, e as cores bege, branco e grafite são fáceis de coordenar”, explica. Na reforma, que durou seis meses, a lareira foi totalmente renovada. Ganhou um desenho contemporâneo e está instalada na parede revestida de mármore travertino romano (Marmoraria Pedra de Esquina, cerca de R$ 500 o m² instalado). Para dar volume e evitar o aspecto chapado da pedra, foram esculpidos rasgos e relevos na superfície. Nas outras paredes, gesso e massa corrida eliminaram as ondulações acentuadas na alvenaria.

Abarrotada de móveis, a área social teve os excessos eliminados, mas várias peças foram reaproveitadas, como o sofá de camurça sintética de dois lugares (na Donatelli, R$ 171,90 o metro linear; troca de tecido feita pela Decoramelo) e a luminária de chão (cúpula a partir de R$ 80, na Dario Cúpulas). O bar de alvenaria, que diminuía o espaço, foi demolido. Em seu lugar, um móvel de apoio à TV com 1,40 m x 0,50 m (desenho da arquiteta executado pela ArtMore Marcenaria, preço sob consulta). E, para acentuar as linhas retas do projeto de reforma, derrubou-se o arco que havia no teto da sala de jantar, enquanto a meia-parede entre a área de refeições e o estar foi preservada, isolando os ambientes.

No lavabo de 2 m², os azulejos em tom caramelo foram eliminados e as paredes, pintadas de branco – em uma delas, a arquiteta criou uma faixa de mármore travertino romano bruto (Marmoraria Pedra de Esquina, cerca de R$ 500 o m² instalado) do piso ao teto, em paginação canjiquinha. “Dessa forma, dei certa continuidade ao pequeno ambiente”, explica a arquiteta. No piso, o mármore foi lapidado e depois resinado, para evitar o acúmulo de sujeira nas reentrâncias.

Já o ateliê passou de 11 m² para 20 m². No fundo do terreno, a edícula veio abaixo e no lugar dela há uma nova construção, com paredes externas texturizadas e detalhes de tijolos aparentes ao redor dos caixilhos das janelas e portas. Como a artista lida com materiais químicos na produção de gravuras, o espaço (com banheiro) tem pé-direito de 3,60 m e várias janelas. “A proposta era criar um ambiente de trabalho moderno e que tivesse boa circulação de ar”, sintetiza a arquiteta, que também projetou mesa, armários e prateleiras (ArtMore Marcenaria, preço sob consulta) desse espaço.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.