02/02/2007

Muito espaço, pouca parede

Fonte: Jornal da Tarde

Lofts, estilo de imóvel importado dos Estados Unidos, também serve para abrigar famílias

Jonne Roriz/AEZap o especialista em imóveisA arquiteta Luciana Rebouças decidiu construir sua casa no estilo de um loft, com poucas paredes: ‘Eu queria um espaço que me permitisse ver todo mundo, de qualquer lugar em que eu estivesse’

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um ambiente livre de paredes, onde a sala praticamente se confunde com a cozinha, pode ser uma das melhores maneiras para se aproximar uma família. Para casais jovens ou solteiros em vias de colocar mais uma escova de dentes no banheiro, os lofts, apartamentos que não possuem uma divisão muito fixa entre os ambientes e se diferem das quitinetes pelo tamanho e preço maiores, são boas opções para morar.

Quem descobriu os benefícios de conviver com mais gente num lugar antes tido como ideal apenas para os solitários foi a arquiteta Luciana Rebouças, que adaptou a casa onde mora com o marido e a filha de 9 anos para deixá-la com cara de loft. “Eu queria um espaço que me permitisse ver todo mundo, de qualquer lugar em que eu estivesse. Minha filha sempre viveu aqui e tem funcionado. O que tinha de paredes físicas, eu derrubei”, conta.

Em vez de construir paredes e enclausurar cada ambiente, a arquiteta passou a utilizar os próprios móveis para delimitar onde ficam a sala e o escritório, por exemplo. “A organização pessoal é fundamental, se não começa a ter roupas espalhadas por todos os lados da casa. A bicicleta tem de ficar pendurada na parede, não pode estar jogada no meio da sala e atrapalhar a movimentação. Se todo mundo respeitar essas regras, funciona muito bem”, ressalta.

O problema pode aparecer quando algum dos moradores deseja um pouco mais de privacidade e sossego. “Meu marido reclama um pouco do barulho quando ele quer dormir um pouco mais, mas isso faz parte”, admite Luciana.

Adaptação

O conceito de lofts surgiu nos subúrbios de Nova York, em antigos bairros industriais desocupados, cujos galpões abandonados com pé direito alto caíram nas graças dos jovens executivos sem disposição para pagar os altos aluguéis cobrados nas cercanias residenciais da cidade.

No Brasil, foi impossível conciliar o público a que se destinavam os apartamentos sem divisão ao local em que estavam os galpões fabris. “Tentei fazer o mesmo, mas os locais onde encontrava antigos armazéns não eram bem localizados. Logo nasceram os lofts brasileiros, em locais nobres das grandes cidades, com essência de antigos galpões, mas tive o cuidado de não ‘fingir’, de não criar o irreal”, aponta o arquiteto João Armentano, pioneiro a assinar os projetos do principais edifícios do gênero em São Paulo.

Luciana concorda e procura, dentro dos apartamentos que trabalha, deixar os ambientes mais brasileiros. “Uma tendência arquitetônica está muito ligada à realidade climática e socioeconômica do país em que ela surge. Não dá para copiar, porque é preciso criar um ambiente que tenha conforto ambiental, térmico e acústico.”

Armentano acredita que São Paulo ainda tem espaço para abrigar novos prédios de lofts. “Existem cada vez mais pessoas que adotam esse conceito de vida”, define.

Conheça um loft 

O conceito de lofts surgiu em Nova York, em galpões desocupados por antigas fábricas que atraíram jovens executivos. Confira as características de um apartamento estilo loft genuíno:

Pé-direito mínimo de 3,2 metros de altura

Ausência de paredes como divisões internas. Ambientes
conjugados preferencialmente em um nível só

Colunas de sustentação aparentes, com tijolos e
tubulações à vista

Chão de cimento. Uso de materiais frios, como cerâmica

Iluminação natural das janelas

 

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