05/08/2007

Na corrida pelo topo do mundo

Fonte: O Globo

Nova onda de arranha-céus ergue gigante de quase um quilômetro na Ásia

O GloboZap o especialista em imóveis

A empresa Emaar Properties informou, há 15 dias, que o prédio Burj Dubai, em construção na capital dos Emirados Árabes, Oriente Médio, alcançou 512 metros, ultrapassando, em altura, o maior prédio do mundo hoje, o Taipei 101, com 508 metros, localizado na capital de Taiwan, Ásia. A Emaar disse que o gigante de Dubai atingiu 141 andares, mas terá mais de 160 quando ficar pronto em 2008, deixando um mistério sobre seu real tamanho, estimado entre 800 e 850 metros de altura.

Coisa de país movido a petrodólares? Nem tanto. Como reflexo do crescimento mundial dos últimos anos, vivemos uma nova onda de megaestruturas — arranha-céus que brigam pelo posto de maior do mundo, ignorando o destino trágico do World Trade Center (417 metros). E, no momento, ainda é preciso esperar para saber quais serão os efeitos da recente crise imobiliária dos Estados Unidos.

Continente em busca de auto-afirmação

— Atravessamos uma nova era de arranha-céus, um ciclo ligado ao desenvolvimento econômico, especialmente em locais sem restrições legais quanto a tamanho ou altos custos trabalhistas, como no Oriente Médio, turbinado pelos preços do petróleo, e na Ásia, pela emergência da China, que puxa a região — diz Daniel Kieckhefer, analista da Emporis, empresa alemã especializada na análise de arranha-céus.

Senão, vejamos: dos dez mais altos prédios prontos hoje no mundo, oito estão na Ásia — o Taipei 101, Torres Petronas (Malásia, 452 metros), Jin Mao (Xangai-China, 421 metros), Two International Finance Centre (Hong Kong, 415 metros), Citic (Cantão-China, 391 metros), Shun Hing Square (Shenzhen-China, 384 metros), Central Plaza (Hong Kong, 374 metros) e Bank of China (Hong Kong, 367 metros). Dois são americanos: a Sears (Chicago, 442 metros) e o Empire State (Nova York, 381 metros). Do total, seis foram construídos na última década.

Se alguém quiser enumerar os dez mais altos, considerando-se os projetos em andamento, a lista incluirá, entre outros, o Burj Dubai e a Freedom Tower (417 metros), nos escombros do World Trade Center. Ainda assim, sete dos gigantescos arranha-céus estarão na Ásia, dos quais dois em construção. Mas se forem analisados projetos ainda no papel, então a Ásia se solidifica no posto de região mais alta do mundo em construções. Dez dos 13 projetos de arranha-céus com mais de 333 metros de altura estão hoje por lá, especialmente na China, em Hong Kong, em Taiwan, e na Coréia do Sul.

— Essa briga pelo topo é típica de países que querem se firmar de alguma forma no cenário externo, algo que a Ásia, com dois terços da população do planeta, busca desesperadamente atingir depois da crise da década passada — diz o arquiteto Ma Yansong, sócio do escritório MAD Architects, um dos mais modernos de Pequim.

Mas construir arranha-céus é uma empreitada impossível de realizar sem dinheiro. Muito dinheiro. E nisso o quadro de liquidez mundial dos últimos anos veio ajudando muito. Veja-se a história do World Financial Center (WFC), em Xangai, um dos dez mais altos na lista dos projetos em construção. Por trás dele, está Minoru Mori, o Donald Trump japonês, e um consórcio de mais de 30 bancos.

Em 1997, o megaempreendedor anunciou o WFC como o maior prédio do mundo (492 metros), para, meses depois, se ver envolvido na crise asiática, a primeira da era da globalização. As obras, paradas por cinco anos, foram retomadas em 2003 com o reerguimento da região. Mas em 2004 o Taipei 101 foi inaugurado, para frustração de Mori e equipe, que injetaram mais de US$1,1 bilhão até agora no prédio de mais de 100 andares. Detalhe: o Taipei 101 custou US$1,6 bilhão.

 

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