19/08/2008

Na hora de decorar o lar, as diferenças de casais aparecem

Fonte: Globo online

Apesar dos homens participarem dos processos da obra, a última palavra acaba sendo da mulher

RIO – Ela adora vasos de plantas e flores. Ele, copos de bares, tulipas e bolachas de chopes. Durante o namoro, nada disso incomodava-os. Pelo contrário, Gabriela Mendes conta que se divertia com a mania do namorado, Bruno Siqueira, de sempre comprar os copos diferentes de bares e de cervejarias que o casal freqüentava. Até sozinha, ela também guardava as bolachas de chopes de alguns bares para a coleção do amado. Mas, bastou os dois passarem a viver juntos, para que as manias perdessem um pouco da graça.

Gabriela diz que tinha em mente dar uma mudada na decoração do apartamento, onde Bruno já vivia, na Barra da Tijuca. Na mesa de canto, onde estava parte da coleção de bolachas num suporte e outras espalhadas, ela idealizou colocar uma mini samambaia havaiana. No armário bufê, repleto de copos e taças, pensou numa orquídea. Ao lado do armário, uma cesta de vime com dois vasos de lírio-da-paz. Mas suas sugestões não agradaram muito o parceiro.

– Como ele já tinha decorado do jeito dele, tive de respeitar algumas coisas. Claro que reivindiquei espaço para minhas plantinhas e consegui. O bufê ainda tem cara de bar, mas ganhou um verde, o que deu mais vida ao ambiente – afirma Gabriela.

A arquiteta Adriane Lacorte Branco conta que esse tipo de discordância é recorrente entre os casais porque são personalidades distintas. Diante dos impasses, não faltam momentos em que os arquitetos acabam assumindo o papel de psicólogo.

– Isso tudo é muito natural porque entramos nas casas das pessoas, perguntamos de que lado eles dormem, onde gostam de ler, de se sentar, se levantam durante a noite. Enfim, entramos, praticamente, nas vidas deles. Apesar de os homens participarem dos processos da obra, a última palavra acaba sendo a da mulher – avisa ela.

Entretanto, Siqueira relembra que quis copiar a idéia de uma cristaleira, que viu num bar, mas a namorada vetou.

– Bastou ela saber que seria em madeira de caixas de bacalhau do mercadão para reclamar. Ainda pretendo convencê-la de que é bonita. É uma peça de decoração – diz ele.

As diferenças não param por aí . Siqueira é surfista, costuma recortar fotos de surfe, ondas e praias de revistas especializadas para e colocá-las numa cortiça que fica pendurada no quarto. Gabriela conta que no aniversário do “namorido ” encomendou um quadro com pôster de onda gigante e vidro anti-reflexo com a intenção de se livrar da tal cortiça.

Zap o especialista em imóveisA tarefa mais difícil para um casal é decorar a casa unindo o bom gosto dos dois

– Ele adorou o quadro, pendurou-o na sala e não abriu mão da cortiça que mais se parece com aquelas capas de cadernos de adolescentes – relata.

Para o casal, tudo é uma questão de se negociar, observando o quanto cada item é importante para o outro.

– Certamente eu teria mais plantas em casa. Mas acabei sendo convencida de que, realmente, não é muito prático no dia-a-dia. Apesar de gostar de cuidar de plantas, sei que dá trabalho. Acabei me contentando com seis vasos.Três deles na sala e os outros na varanda – afirma Gabriela.

Outro casal que driblou as diferenças foi Fernanda e André Stein. Eles contrataram uma arquiteta para decorar o apartamento em Moema, Zona Sul de São Paulo. A obra durou dois meses.

– Como boa parte dos homens, o André é muito prático, não prioriza a estética. Ele tinha pressa em ter o apartamento pronto. Eu, não. Queria ter certeza de que o tudo seria bem-feito. A arquiteta e eu precisamos convencê-lo sobre a sugestão dela de pintar uma das paredes de marrom. Ela chegou a combinar com ele que se ficasse ruim, ela refaria o trabalho por conta dela – relembra Fernanda.

Ela também conta que marido ficou furioso ao ver que seu sofá bicama comprado na Tok & Stok acabou sendo transformado e perdeu a parte da cama. Para evitar novos conflitos, Fernanda definiu com a profissional toda a parte de marcenaria do escritório, mas antes de qualquer mudança consultou o marido que aprovou o projeto.

Enfim, engana-se quem pensa que os maridos e “namoridos” não dão a mínima para decoração, e , na hora de decorar o lar vale a pena investir naquela conversa.

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