05/07/2010

Na média do país, pacote de internet vale quase igual ao gás na despesa do brasileiro com habitação

Fonte: O Globo
(Foto: Divulgação)
Habitação, que consome 35,9% do orçamento familiar (Foto: Divulgação)

Sabe aquele pacote de telefone, TV a cabo e internet que entrou para as despesas de parte dos brasileiros há poucos anos? Pois bem, na Região Sudeste, ele pesa no orçamento tanto quanto um quesito de primeira necessidade: o gás doméstico. No país, equivale a gastos com artigos de limpeza e supera, longe, os consertos domésticos. Essas são algumas das curiosidades que se descobre numa segunda leitura da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), de 2008/2009, divulgada semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na média do país, a habitação, que consome 35,9% do orçamento familiar, diz a pesquisa, aumentou em relação a 2003, quando ficara em 35,5%. E está à frente de todas as outras despesas – ou seja, alimentação, transporte, saúde e educação.

Outra curiosidade: no país, a participação do aluguel nas despesas domésticas caiu de 16,4% para 15,7%. Sinal de alívio para o bolso do brasileiro? Nem tanto. De seis anos, quando foi feita a pesquisa anterior, para cá, a locação ficou 25% mais cara, abaixo da inflação medida pelo IPCA, de 39,3%. Mas, segundo a analista econômica do IBGE, Isabel Martins Santos, o que fez o peso do aluguel cair foi a inclusão de gastos que não faziam parte do orçamento, como o pacote de telefone, TV a cabo e internet.

Nesses seis anos, as contas de luz, água e esgoto também não passaram imunes. Como já era de se esperar, todas ficaram com peso maior. A novidade, diz a pesquisadora Andréa Freire, do Instituto Mediator, especializada em pesquisas para o mercado imobiliário, é que os brasileiros passaram a investir mais na compra de eletrodomésticos. O peso deles na pesquisa subiu de 2,28% para 2,58%:

“As classes mais baixas buscam a atualização do consumo, enquanto a classe A foca na inovação. As primeiras sonham com uma televisão LCD, a outra já está partindo para os modelos 3D. As ambições são as mesmas, o que muda é o tipo de bem consumido e o padrão de investimento. Nas classes C, D e E, a oferta de crédito teve um peso enorme nessa mudança de comportamento. São pessoas que antes só olhavam as vitrines. Hoje, compram nem que seja a perder de vista.”

O conceito “lar” diz Andréa, está mais presente na sociedade Brasileira . E os esforços para torná-los  mais bem estruturado – até para receber melhor amigos e família – implica novos gastos: “Antes a gente só trocava um eletrodoméstico quando ele quebrava. Agora, existe o apelo  do design, do modelo mais econômico. E a compra é feita sem que exista uma necessidade real.

De acordo com Fábio Mariano Borges, professor de pós-graduação em Ciências do Consumo Aplicado da ESPM, a ideia de “lar” começou a se materializar com o aquecimento da construção civil, principalmente com o aumento da oferta de imóveis populares: ” A construção é o setor com a cadeia de consumo mais extensa, que começa com o material de construção e vai até móveis, eletrodomésticos e decoração. A pesquisa (do IBGE) mostra a mudança de comportamento do mercado, pois antes não tínhamos crédito, nem disponibilidade por parte do público.

Por sua vez, o pesquisador Fábio Queiroz, do Núcleo de Pesquisa sobre Habitação e Modos de Vida (Normads), da USP, destaca a presença cada vez maior do número de computadores por residência. E a importância do celular como porta de entrada para a tecnologia nas camadas mais baixas:

“Por trás do orçamento familiar, existe uma questão comportamental que envolve a individualização do cidadão – hoje todos querem ter seu quarto, sua TV, seu computador, seu telefone – e o desejo de transformar a casa num refúgio confortável e equipado. A preocupação com a estética também deixou de ser supérflua.

 

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