24/06/2007

Na rota do petróleo

Fonte: O Globo

Crescimento da região da Bacia de Campos atrai construtoras e investidores. E melhora o perfil dos imóveis

A tentas ao crescimento das cidades que compõem a Bacia de Campos, responsável por mais de 80% da produção nacional de petróleo, grandes construtoras estão investindo em cidades como Niterói, Macaé, Rio das Ostras, Itaboraí e Maricá, no Estado do Rio, e em Vitória e Vila Velha, no Espírito Santo. Para quem mora na região, isso representa uma maior oferta de imóveis, em prédios mais completos e com preços mais competitivos. E, para quem investe no setor, uma boa oportunidade de renda, com aluguel para profissionais de outros estados e estrangeiros.

Dona de uma economia que já cresceu 600% desde 1997 e um PIB per capita de R$11 mil por ano — 30% acima da média nacional — Macaé é o município da região que mais recebe investimentos imobiliários. Embora seu crescimento tenha sido desordenado e sejam grandes seus problemas de infra-estrutura, as iniciativas pública e privada estão atuando em parceria para tentar atender à demanda por moradia.

Para Heitor Trindade, diretor de Incorporações da Delta Construções, a cidade ainda tem muito potencial, já que vai abrigar a sede da Petrobras. A empresa, que lançou dois condomínios em Macaé e um em Niterói, planeja outros empreendimentos para essas cidades e acaba de fechar negócios em Vitória.

— Por meio de pesquisas, detectamos em Macaé uma carência de unidades residenciais com financiamento da Caixa Econômica na classe média baixa, já que o crescimento econômico deu à população um poder de compra que antes ela não tinha. Assim, fizemos o primeiro lançamento na cidade, com unidades na faixa de R$100 mil. O segundo foi para a classe média e foi totalmente vendido — diz Trindade, que agora planeja lançar produtos para a classe média alta.

Pólos da vez seriam Maricá e Itaboraí

Com negócios em Macaé, Rio das Ostras, Itaboraí e Maricá, a CHL fez parceria com uma empresa da região, a Estrutura, e está atuando na venda de loteamentos populares, na faixa de R$20 mil. Mas estuda o mercado para prédios residenciais de classe média. Para Otávio Figueiredo, presidente da Estrutura, o petróleo, que já mudou cidades como Campos e Macaé, pode fazer de Maricá e Itaboraí — município onde será instalado o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj — novos pólos de emprego e exploração de combustível:

— A estimativa é que a população de Itaboraí dobre em cinco anos. O setor imobiliário se prepara para isso, o que não ocorreu em Macaé, onde a oferta de imóveis, principalmente para as classes C e D, não acompanhou o crescimento populacional. Agora, empresas e prefeitura atuam em parceria para melhorar a qualidade de vida na cidade.

Para entrar no mercado de Vitória, a Delta, por sua vez, também se aliou a outra empresa, a capixaba Mazzini Gomes. Um empreendimento de 216 unidades, com preços de R$150 a R$200 mil, será lançado este ano. E já há outros dois em fase de aprovação, um deles para a classe A, na valorizada Praia do Canto, com imóveis na faixa de R$600 mil.

Alto índice de emprego garantindo prestações

— Embora Vitória tenha empresas locais atuando no segmento de alto padrão, entendemos que haverá demanda. E vamos investir em empreendimentos com o conceito clube-residência, que não é tão comum por lá — conta Trindade.

Marco Adnet, diretor-regional da Rossi Residencial, confirma a demanda por imóveis no mercado capixaba. Em 2006, dois empreendimentos da empresa em Vitória — um na Praia do Canto e outro na Enseada do Suá — foram totalmente vendidos antes do lançamento. Dois outros serão oferecidos este ano nos mesmos bairros. Haverá ainda, em 2008, lançamentos em Vila Velha e Serra, no segmento de imóveis econômicos:

— A Grande Vitória tinha uma demanda latente, pois só tinha lançamentos para pagamento a curto prazo. Os altos índices de empregabilidade por causa do petróleo nos deram respaldo para lançar uma política agressiva na região.

Adnet adianta que um dos produtos da Rossi na Enseada do Suá, em Vitória, terá como público-alvo os investidores. Gente que planeja alugar para profissionais que vêm de fora, por tempo determinado, para prestar consultoria:

— São imóveis mais compactos, em prédios com serviços de hotel, facilidade de locação e rentabilidade alta.

A paulista Cyrela também está atenta à rota do petróleo. Ano passado, fez um lançamento em Serra, na Grande Vitória, a preços entre R$250 mil e R$300 mil. No fim de maio, a empresa lançou um condomínio em Vitória, para a classe média alta, entre R$550 mil e R$800 mil. E 70% das unidades já estão vendidas.

— Depois da abertura de capital, nossa estratégia está na expansão geográfica e na segmentação de produtos. E Vitória, Serra e Vila Velha têm grande potencial para o mercado imobiliário — frisa Antonio Guedes, diretor de Novos Negócios da Cyrela.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.