16/12/2008

Natal é época de sofás nas ruas

Fonte: Jornal da Tarde

Com a chegada do 13º, subprefeituras registram aumento no número de móveis abandonados

Valéria Gonçalvez/AEZap o especialista em imóveis

Sofás sujos, rasgados e coloridos tomam as ruas de São Paulo entre novembro e o Natal, período em que as subprefeituras registram aumento no recolhimento deste tipo de imóvel. As famílias aproveitam o dinheiro extra do Natal, trocam os sofás e descartam os antigos nas vias públicas. A maioria não sabe que isso é crime, com multa de R$ 500.

Em algumas regiões da cidade, chega a dobrar a quantidade de móveis jogados nas ruas, segundo informações das subprefeituras. Só ontem, a Subprefeitura de Cidade Tiradentes, na zona leste, recolheu dez sofás.

Durante o ano, o órgão coleta em média de três a quatro sofás por dia. O subprefeito de Cidade Tiradentes, Renato Barreiros, afirma que costuma andar pela área da subprefeitura todos os dias. ?De repente, comecei a me deparar com um grande número de sofás e percebi a relação direta com o aumento no poder de consumo nessa época?, afirma.

Esta rotina não se restringe a bairros da periferia da Capital. Na semana passada, a reportagem encontrou um conjunto na avenida Sumaré, na zona oeste, e outro na avenida Paulista, região central. Na última quarta-feira, a Subprefeitura da Mooca, na zona leste, retirou cerca de 20 conjuntos só da avenida Álvaro Ramos, ao longo do muro do Cemitério da Quarta Parada. Das oito toneladas de material recolhido no distrito, a maior parte era de sofá.

Na Subprefeitura de Santo Amaro, o volume de sofás coletados já começa a aumentar a partir de outubro, com o recolhimento em média de 25 a 30 no. Nos meses anteriores, são 15 móveis retirados das ruas. Os em bom estado são enviados para instituições.

Existem opções para quem pretende se desfazer dos móveis antigos sem sujar as ruas da cidade: os 33 ecopontos (locais de recolhimento de material inservível) e as operações cata-bagulho, que são feitas de porta em porta pelas subprefeituras. Instituições também aceitam doações.

Para o engenheiro Acácio Telaquin, coordenador de Obras e Projetos da Subprefeitura da Mooca, a população não tem o hábito de usar os ecopontos. ?Muitas vezes as pessoas não têm como levar o móvel, e contratam carroceiros para fazê-lo. Só que eles acabam abandonando os móveis nas ruas?, afirma.

Em Cidade Tiradentes, segundo o subprefeito Barreiros, dos três ecopontos da região, dois são utilizados. ?É difícil, pois muitas vezes o carreto até o ecoponto equivale a uma prestação do móvel novo?, afirma. Para o próximo ano, ele estuda parcerias com instituições que fazem caridade.

Os carroceiros confirmam que a procura pelo serviço aumenta nessa época. Um deles, que atua na região de Higienópolis, diz que faz retiradas nos condomínios de alto padrão. Ele, que não quis se identificar, explica que faz uma reciclagem. Se o produto estiver em boas condições, é vendido para lojas de móveis usados. Caso contrário, abandona nas ruas. ?Sabemos que é proibido, mas não tem onde jogar. Procuro pôr onde a Prefeitura passa para recolher.? Colaborou Laís Catassinni

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