17/10/2008

Nem tudo é trevas…

Fonte: Jornal da Tarde

Algumas incorporadoras ganham com a migração dos investidores da Bolsa para os imóveis

A crise no mercado financeiro está sendo vista como oportunidade pelas empresas do ramo imobiliário que não têm capital aberto na Bolsa da Valores. Para estas, as perdas no mercado financeiro voltam a mostrar que o investimento em imóveis continua sendo uma alternativa segura e rentável e esperam a migração do dinheiro de quem está decepcionado com a instabilidade das ações para o setor.

“Para quem quer investir, imóveis, tradicionalmente, são um ramo seguro. Estamos em um período de valorização, e, se houver diminuição dos lançamentos nos próximos meses, vai faltar imóvel mais para frente e o mercado vai valorizar mais ainda. Então, acho que esse é o momento para quem pode adquirir imóveis”, afirma Fabio Rossi Filho, diretor da Itaplan.

O diretor de seminovos da Fernandez Mera, Guilherme Ribeiro, afirma que já está havendo procura de investidores do mercado financeiro pelo ramo imobiliário. “Percebemos esse movimento de troca por algo mais seguro. No caso de imóveis, sempre houve essa preferência quando houve momentos de incerteza”, conta.

O presidente da Bairro Novo, Roberto Senna, também vê o momento como uma oportunidade, mesmo para quem vai entrar em uma dívida para a compra da casa própria. “Para quem financiou ou vai adquirir usando recursos da poupança ou FGTS, não vai haver mudanças, pois essas taxas são fixas e reguladas pelo Banco Central. O governo não deve desacelerar o estímulo ao crédito habitacional”, explica.

Segundo Senna, o mercado só seria afetado se houvesse movimento de desemprego, queda de renda ou redução dos investimentos em poupança. “Também teríamos de ter alta da inflação para que a Taxa Referencial (TR) fosse alterada, mas, em momento de crise, o movimento é inverso. A poupança também passa a ser um aplicação mais segura, então, não teremos menos recursos vindos desse fundo”, comenta.

No entanto, as empresas afirmam que a falta de informação do consumidor tem provocado a desconfiança de quem quer comprar um imóvel. “A crise é séria, de grande proporção, mas localizada no mercado financeiro. O consumidor está assustado, mas não há o que temer no que diz respeito ao crédito imobiliário regulado”, analisa o presidente da Bairro Novo. “Acho que o que está acontecendo precisa ser mais claro para que as pessoas não misturem as coisas, pois o Brasil não está na mesma situação que outros países”, diz.

Para tentar reverter a falta de confiança, os vendedores das consultorias imobiliárias estão passando por um treinamento para driblar o momento de dúvida do consumidor e esclarecer os desdobramentos da crise do setor financeiro sobre o imobiliário. “Precisamos passar segurança para o consumidor. Grandes empresas consolidadas tê m capacidade para isso”, diz Rossi Filho.

Quanto ao aumento das taxas de juros para recursos livres, o diretor da Fernandez Mera afirma que os únicos que vão perder com esse movimento de reajuste são os próprios bancos. “Não foram todos que tomaram essa decisão, e a concorrência vai fazer com que as pessoas procurem outros bancos com taxas mais acessíveis. Quem fez isso para se proteger vai perder cliente”, avalia.

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