30/10/2006

No Bexiga, por volta das 6 horas, eles se reúnem para beber e dançar na rua

Fonte: O Estado de S. Paulo

É segunda-feira, 6 horas. O dia ainda nem clareou e você já está guiando seu automóvel (ou apertado dentro de um ônibus) rumo a mais uma semana de trabalho. Mas, ao entrar na Rua Rui Barbosa, no Bexiga, algo parece fora de lugar…

A balada é forte. Os bares estão cheios e as pessoas dançam no meio da rua. Tem cerveja, churrasquinho, paquera e bebedeiras. Parece sábado à noite. Quem são essas pessoas? Ninguém trabalha?

Vamos responder a essa questão de trás para a frente. Não, ninguém ali trabalha na segunda-feira. Eles conseguem essa folga porque estiveram na luta durante todo o final de semana. Na maioria das vezes, são cozinheiros, auxiliares de cozinha, caixas de restaurante e garçons. Aliás, é nessa noitada que eles gastam os 10% que costumam ser cobrados na sua conta.

Esse encontro de garçons é tradicional na Rui Barbosa. Segundo os próprios freqüentadores, o point existe há mais de 10 anos. Pizzarias, casas do norte, clubes de forró e um churrasquinho de rua são os principais atrativos. “Aqui todo o mundo veio do Norte. Tem gente do Piauí, de Pernambuco, Bahia…”, diz o garçom Reginaldo Amadeu da Silva, de 26 anos. “A gente trabalha pesado a semana inteira e merece gastar as caixinhas da semana com diversão”, conta Leandro Pereira, de 21. “Segunda-feira é o meu sábado. As pessoas estão indo trabalhar e eu na farra”, completa Renato Ozires da Silva, de 23.

A balada dos garçons acaba funcionando como um balcão de empregos. Não raro, o boca-a-boca dos colegas ajuda na hora de o profissional desempregado arrumar uma vaga. Pessoas irritadiças devem passar longe dessa balada. Uma das brincadeiras preferidas ali é a “chuva de cerveja”. Eles abrem latinhas e espirram o seu conteúdo sobre a cabeça de qualquer passante. Outra excentricidade etílica é o consumo de uísque quente diretamente da garrafa. “Quanto mais falsificado, mais gostoso”, disse um rapaz, que não conseguia lembrar o nome.

Embora todos sejam trabalhadores, um hábito dos chamados “playboyzinhos” é visto com freqüência: carros populares com o porta-malas aberto e som no último volume. Vez ou outra, um rapaz mais assanhado dança sobre o capô.

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