08/05/2009

Nova Luz: potencial e indefinição

Fonte: Jornal da Tarde

Modelo de concessão foi aprovado, mas ainda falta plano para colocar revitalização em prática

Três bulevares para maior circulação, com calçadas largas, onde haveria prédios de uso misto com, no máximo, oito pavimentos, que abrigariam comércio e serviços nos dois primeiros andares e, nos outros, habitações, entre altos edifícios comerciais. Na mesma região, uma torre com mais de 200 metros e 80 andares, centro de gastronomia e lazer. Todos os quarteirões teriam uma praça com uso público ou privado, ao lado de estações do metrô e imóveis tombados. É difícil de acreditar, mas esse cenário pode fazer parte das Avenidas Rio Branco, Duque de Caxias, Ipiranga e Cásper Líbero na Nova Luz.

A nova cara desse quadrilátero faz parte do projeto de um revitalização da a área conhecida como Cracolândia coordenado pela Prefeitura. O próximo passo é a definição de um projeto urbanístico. A Prefeitura não estabelece prazos, mas já começam a surgir opções, como o projeto do urbanista Jaime Lerner, descrito acima.

O modelo de concessão urbanística sancionado ontem servirá como base para a recuperação da área. O instrumento, previsto no plano diretor da cidade, dá o direito de desapropriar imóveis em regiões degradadas em troca de contrapartidas como construção de moradias populares e investimentos em melhorias urbanísticas.

Nesse cenário, construtoras e incorporadoras já demonstram interesse pela região. São nomes como Cyrela, Camargo Corrêa, Gafisa, Klabin Segall, Brascan e Yuny, que trabalham com empreendimentos de todos os segmentos do mercado imobiliário e que vêm participando de conversas com a Prefeitura. Fábio Romano, diretor de incorporação da Yuny, afirma que a ideia é criar um consórcio e apresentar um projeto ao poder público. O objetivo, diz, é que seja o primeiro passo para revitalizar todo o centro da cidade.

Alguns dos principais atrativos da região, com o auxílio de benefícios públicos, são terrenos mais baratos em comparação às regiões mais nobres, fácil acesso à região e a rápida valorização embutida no processo de revitalização, aproveitando a infraestrutura que já existe.

“Há uma série de intenções dos incorporadores, mas não conseguimos fechar a conta de nenhum empreendimento. Para a compra de prédios antigos e demolição de imóveis na área, precisamos não só do apoio do governo, mas também do mercado, que deve criar uma força-tarefa para transformar o local. Se a revitalização realmente ocorrer, vai voltar a ser chique morar no centro”, completa.

Maurílio Scacchetti, diretor de atendimento da Habitcasa, é cauteloso e observa um processo lento de desapropriação. “Enquanto ele não for definido, o mercado não irá colocar um tostão na região. Hoje, quem quer comprar ou investir em um imóvel, ainda tem opções em bairros centrais como Bom Retiro, Liberdade e Barra Funda. Mas, caso a revitalização seja levada a cabo, basta lançar e vender.”

NÚMEROS – 24 quarteirões entre as Avenidas Cásper Líbero, Duque de Caxias, Mauá, Rio Branco e Ipiranga

287 mil m² é área total a ser revitalizada

11 imóveis tombados

750 imóveis a serem desapropriados, em área com 362 mil m² onde vivem 3.500 pessoas

1 Comentário

  1. Prezados Amigos,Fiz inscrição ficha de demanda minha casa minha vida/cohab/sp em 23.07.2009 com interesse ir para Nova Luz para reurbanização da área. Gostaria de mais informação e formas de como fazer valer a ficha de demanda?!!!!Grato!

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