22/10/2006

Novas linhas de crédito vêm com TR embutida

Fonte: O Globo

Candidatos a mutuários devem pesquisar programas lançados, dizem especialistas

Os bancos estão anunciando o lançamento de linhas de financiamento de imóveis sem TR, mas, de fato, a taxa está vindo embutida nos novos juros cobrados. Tome-se como exemplo o percentual de 14,5% da Caixa Econômica Federal para empréstimos prefixados, com pagamento via carnê, na compra de imóvel a partir de R$130 mil: a nova taxa é simplesmente o acumulado dos 12% mais TR — mesmo patamar das antigas linhas de financiamento. É a modalidade da TR travada ou congelada, também permitida pelo governo na criação das novas regras, no mês passado.

Ou seja, não há desrespeito à legislação, mas a nomenclatura usada é inadequada.

— As resoluções e medidas provisórias anunciadas pelo governo sobre o assunto permitem que, ao retirar a TR dos contratos de financiamento, sejam cobradas taxas acima de 12%. É a tal da TR travada ou congelada, termo que, na minha opinião, é uma bobagem — diz o vice-presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Rodolpho Vasconcellos.

Pelas novas linhas da Caixa, prestações serão decrescentes

O fato é que o candidato a mutuário precisa estar atento e avaliar as melhores condições de financiamento. Segundo o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Luís Carlos Ewald, ao buscar crédito imobiliário o cliente deve se informar sobre todas as taxas e cobranças feitas pelos bancos para fechar um contrato:

— É necessário verificar se o preço dessas cobranças não disparou.

O Bradesco anuncia o crédito imobiliário prefixado, sem correção pela TR. Os índices de reajuste, no entanto, são de 13,5% ao ano (prazo de pagamento até dez anos) e 14% ao ano (de dez a 20 anos), para imóveis até R$350 mil.

No caso da Caixa, na faixa de avaliação de até R$130 mil, a taxa de juros cai para 12,9%, para pagamento via carnê. Os percentuais são menores, caso a quitação seja feita via desconto em conta corrente ou consignação — 11,9% (para imóvel até R$130 mil) e 13,5% (acima desse valor):

— A CEF oferece uma série de linhas de crédito e há alternativas para os diversos perfis de clientes. As duas novas linhas anunciadas estão enquadradas no Sistema de Amortização Constante (SAC). Isso significa dizer que o tomador de crédito terá parcelas decrescentes ao longo do período — diz o superintendente da Caixa Econômica no Rio, José Domingos Vargas, referindo-se também à modalidade de crédito pós-fixada.

Outros bancos, como HSBC e Santander, também têm modalidades de crédito com flexibilização do uso da TR. O Credimóvel do HSBC, por exemplo, tem financiamento — para até dez anos — com taxa de 1% ao mês (12,67% ao ano), com parcelas decrescentes. Os imóveis devem custar, no mínimo R$200 mil (sem limite máximo) e o financiamento é de até 75% do valor do imóvel. Quem paga as prestações em dia fica isento da cobrança da TR.

No Santander, pela linha SuperCasa 20, as parcelas são fixas do 1º ao 20º ano do contrato, sem nenhum índice de correção. As taxas de juros variam de 14% — para clientes que usem uma cesta de produtos do banco, como cheque especial e cartão de crédito — a 14,5%, para os demais.

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