20/04/2011

Novo imóvel está a 5 km do comprador

Fonte: O Estado de S. Paulo

Essa é a distância média entre o apartamento onde ele mora e o que está adquirindo, segundo levantamento da Lopes com 8 mil escrituras

São Paulo – Procurar é o que tem feito o estudante de direito Marceu Perroni, 22 anos. Há dois anos ele, que é noivo de Danila, residente no interior do Estado, procura um imóvel no bairro do Itaim, na zona sul da capital.

A demora para achar o apartamento ideal, tem vários fatores, segundo ele. O principal é que Marceu não abre mão de morar no bairro onde nasceu. E o apartamento precisa ter dois quartos, para receber o pais da noiva, que devem visitar a filha em São Paulo. O preço é outro fator que emperra a escolha. “Os novos estão caros. Optei por buscar usados.” Para encontrar, ele utiliza a internet como ferramenta de busca, consulta imobiliárias e anda pelas ruas do bairro em busca de placas de “Vende-se”.

Após nascimento do filho, Marcelo e Cristina decidiram vender a residência no Tatuapé e comprar em Moema, para ficarem próximos da mãe dela (Fotos: Daniel Teixeira/AE)
Após nascimento do filho, Marcelo e Cristina decidiram vender a residência no Tatuapé e comprar em Moema, para ficarem próximos da mãe dela (Fotos: Daniel Teixeira/AE)

A história de Marceu ilustra em parte o comportamento do brasileiro na hora de comprar imóvel: o que vale na busca por um imóvel é sua localização.

Levantamento obtido com exclusividade pelo Estado aponta que a distância entre o imóvel onde o comprador está e o local onde ficará seu próximo imóvel é, em média, de cinco quilômetros. O índice varia de acordo com o valor do imóvel e a renda do comprador, sendo que quanto mais caro é o novo lar, mais perto está da sua antiga casa.

O dado faz parte do perfil de quem procura um imóvel residencial em São Paulo, feito pela Lopes Inteligência de Mercado com base em 8.158 escrituras da região metropolitana da cidade em 2010 (leia mais abaixo).

“As pessoas não compram o imóvel em si, mas o benefício que ele traz”, afirma o professor da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), Júlio Pires. “Para os brasileiros, a casa própria é um dos principais objetivos da vida.”

Os brasileiros têm um comportamento diferente de europeus e norte-americanos no processo de compra. O brasileiro, segundo Pires, se prende a raízes, procurando bairros familiares ou perto de quem conhece. “Em média, ele se muda a cada dez anos, enquanto o americano troca de casa a cada quatro.”

O vice-presidente de Imobiliário do Sindicato da Construção de São Paulo (Sinduscon-SP), Odair Senra, também identifica diferenças claras. “O brasileiro nem considera aplicar o dinheiro e viver de aluguel, como é comum em muitos países.”

Apesar do desejo da casa própria ser comum à maioria dos brasileiros, as diferenças existem na hora de escolher.

O temor, por exemplo, que aparece na hora da compra varia segundo a classe social. Uma pesquisa realizada pelo instituto de pesquisa Data Popular com 3.005 pessoas em 35 municípios, em 2010 revela que o maior medo dos compradores das classes A e B é não receber o imóvel depois de pagar por ele. Já entre os participantes das classes C, D e E, o que tira o sono é não dar conta de pagar a dívida.

Novo e usado. Segundo Klausner Monteiro, diretor nacional de vendas da construtora Rossi, do primeiro contato até o fechamento do negócio, em geral correm três meses. “A demanda pelos novos empreendimentos é grande, por isso é preciso ser rápido”, afirma. Mas quem prefere imóvel usado, leva muito mais tempo em relação à escolha de um novo.

“Quem compra um antigo, compara bastante e é mais exigente”, diz o presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto. Segundo ele, o tempo até bater o martelo chega a ser o dobro daquele gasto por quem está em busca de um imóvel um novo.

O geógrafo Marcelo Abrunhosa, 40 anos, comprou seu primeiro imóvel em 2009, no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo. Neste ano, após três meses pesquisando o mercado, está adquirindo outro apartamento, desta vez usado, com 75 m2.

O tamanho do primeiro imóvel, 50m² era suficiente para Marcelo e sua mulher, Cristina, até a chegada do primeiro filho do casal, há quatro meses. “Queríamos estar próximos da mãe dela, que mora em Moema, para nosso filho crescer perto da avó”, diz ele.

A decisão fez com que o apartamento do Tatuapé fosse colocado à venda. Agora, o casal prepara a mudança para o novo lar, a sete quarteirões da sogra.

LEIA MAIS:

Valorização dos imóveis é mais rápida que a inflação

SP: preço de apartamento sobe 2,4%

4 Comentários

  1. Boa tarde.Achei a pesquisa muito interessante e a matéria também, tenho na família um fato semelhante de compra de imóvel com a realidade de ficar perto da sogra ou da mãe, por necessidade também.A localização ds compra tambem é o caso, por ter uma estrutura familar para apoio na criação das crianças.

  2. Pequisa meramente genérica para comportamento do consumidor de imóveis local. Razões bem óbvias. Nem precisa de pesquisa. Seria mais interessante uma abordagem do sistema de compra. As diferenças das ferramentas de venda e procura utilizados pelos norte-americanos e europeus. Nos Estados Unidos por exemplo o comprador contrata um corretor de imóveis para localizar o imóvel de interesse.

  3. Lí o artigo em pauta. Quando o professor da ADVB afirma ” As pessoas não compram o imóvel em si, mas o benefício que ele traz” ele disse tudo em poucas palavras. Até quem compra para investir e não apenas morar, também é tudo calculado. Os benefícios que tem o imóvel, por exemplo localização, perto de metrô, de shoppings, farmácias, supermercados, Faculdades, etc. sempre tem que se unir o útil ao agradável, pois, calculadamente pensando em talvez precisar vendê-lo um dia, o imóvel bem localizado é dinheiro em caixa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.