11/04/2011

Novo uso para moradias de zeladores

Fonte: Jornal Extra
Antonio Carlos Silva foi recebido com muita satisfação pela síndica Maria Fernanda, do Edifício Clodette (Foto: Maria Clara Serra)
Antonio Carlos Silva foi recebido com muita satisfação pela síndica Maria Fernanda, do Edifício Clodette (Foto: Maria Clara Serra)

Como a folha de pagamento é responsável pela maior parte das despesas de um condomínio, o jeito encontrado por síndicos e moradores foi enxugar o quadro de funcionários. Assim, a figura do zelador começou a desaparecer, e sua moradia funcional passou a ganhar novos usos, como a locação ou o aproveitamento interno.

O valor da cota condominial, que não para de subir, e já representa uma das maiores queixas dos cariocas, obrigou o setor a se adequar ao novo cenário – de acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi-Rio), em algumas regiões da cidade, ela chega a 50% do valor do aluguel. Se antes os condomínios tinham um zelador, cerca de três porteiros e ainda pessoal de limpeza, hoje, o quadro médio de empregados de um residencial se resume a três trabalhadores. Ou seja, ficaram basicamente os porteiros.

O funcionário que dormia no local de trabalho já não encontra mais espaço nos edifícios. As moradias funcionais dos cada vez mais raros zeladores ficaram vazias, e os condomínios, agora, precisam inventar novas modalidades de uso para elas.

Para ganhar um dinheiro a mais e cortar as cotas extras pela raiz, há quem opte por alugar essa unidade e reverter a renda para o condomínio. Essa foi a opção dos moradores do Edifício Clodette, no bairro da Glória, na Zona Sul do Rio.

Com poucas unidades e muitas despesas, a locação foi aprovada por unanimidade.

Imóvel alugado quase pela metade do preço – Das 24 unidades distribuídas entre os três andares do Edifício Clodette, apenas três não são próprias. Entre as alugadas, uma custa quase a metade do preço das outras locações. Oferta? Não, reutilização de um espaço comum.

Com a necessidade de realizar obras de manutenção e sem dinheiro em caixa, a assembleia de moradores decidiu alugar a moradia funcional do prédio, que estava vazia. Desde então, passaram-se oito anos e, segundo a síndica e moradora Maria Fernanda Pereira, de 59 anos, não há sequer uma queixa contra a medida.

“Assumi como síndica há 15 dias, mas sempre acompanhei de perto a gestão do prédio. O inquilino é o mesmo esse tempo todo, e é querido por todos.”

Enquanto as outras unidades têm dois quartos, a antiga moradia funcional é uma quitinete. Com a escassez desse tipo de residência no mercado, o novo uso acaba ajudando também aqueles que buscam apartamentos pequenos para morar sozinho.

Em vez de pagar os R$ 700 pedidos por uma unidade no Edifício Clodette, o aposentado Antonio Carlos Silva, de 65 anos, conseguiu morar no mesmo endereço gastando apenas R$ 300. Assim, a equação “novos tempos mais necessidade de renda” acabou gerando a satisfação como resultado.

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