07/02/2013

Número de profissionais qualificados aumentou, diz Fiabci

Segundo Basílio Jafet, a informalidade dentro do setor também diminuiu muito

Fonte: ZAP Imóveis

Número de profissionais qualificados aumentou, diz Fiabci

Apesar de ainda contar com carências em algumas categorias, os profissionais que atuam no setor da construção civil estão mais qualificados do que antigamente. É o que assegura o presidente da Fiabci (Federação Internacional das Profissões Imobiliárias), Basílio Jafet, em entrevista exclusiva ao ZAP Imóveis.

Número de profissionais qualificados aumentou, diz Fiabci

 

Segundo ele, criou-se no Brasil, nos últimos anos, a necessidade da contenção de  custos, e a cobrança por uma qualidade melhor por meio do ISO 9000 [grupo de normas técnicas que estabelecem um modelo de gestão da qualidade para organizações em geral], geraram um aumento da qualificação da mão de obra.

Além disso, a oferta de cursos cresceu com a iniciativa de diversas construtoras, que começaram recentemente a oferecer os próprios programas de qualificação para os seus funcionários, segundo Jafet.

“A informalidade dentro do setor também diminuiu muito”, assegura.

Confira a entrevista do executivo da Fiabci, que ainda falou dos principais entraves para o desenvolvimento dos profissionais no mercado imobiliário e qual o peso da mão de obra dentro do orçamento de uma empresa.

INFOZAP – O setor de construção civil ainda sofre com a falta de mão de obra especializada no Brasil? Quais são as áreas e categorias profissionais que são mais atingidas por isso?

BASÍLIO JAFETNosso mercado da construção no Brasil menos qualificado vinha do Norte e Nordeste. Quem não sabia fazer nada, não tinha uma formação técnica, começava sempre como servente ou ajudante. Essa realidade mudou no país. Nos últimos anos, com a necessidade da contenção de custos, a cobrança por uma qualidade melhor por meio do ISO 9000 [grupo de normas técnicas que estabelecem um modelo de gestão da qualidade para organizações em geral], houve um aumento da qualificação da mão de obra. Além de cursos como o Senai, diversas construtoras começaram a oferecer os próprios cursos de qualificação para os seus funcionários. Com isso, o número de profissionais qualificados aumentou, a remuneração cresceu e as oportunidades também aumentaram. Mesmo assim, ainda temos uma carência generalizada de mão de obra especializada no setor. Além de faltarem carpinteiros, ferreiros, encanadores, eletricistas, azulejistas, serventes e ajudantes, não é fácil encontrar também engenheiros. O país ainda tem a necessidade de formar mais engenheiros.

Quais os principais entraves para a qualificação profissional no setor?
A carga tributária, sem dúvidas nenhuma. Outro fator é a complexidade da nossa legislação trabalhista, que se não fosse tão complexa, melhoraria a relação entre empregador e empregado. As negociações atuais são formuladas por um sindicato, mas daí eu pergunto: e a individualidade de cada empresa? Então, essas amarras na justiça trabalhista, às vezes, diminui as oportunidades de trabalho. É um contrafluxo. Quando foi criada a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] não existia o computador. É preciso uma reformulação na legislação.

O que pode ser (ou tem sido) feito para amenizar este cenário? Em sua opinião, faltam cursos profissionalizantes para o exercício pleno destas funções do mercado ou são os profissionais que não se aperfeiçoam constantemente?
Não é por isso não. De repente, a necessidade por trabalhadores especializados aumentou muito de uma hora para outra. Onde existiam 10 funcionários, atualmente precisa-se de 20 pessoas. Isso porque, no Brasil, temos obras de construção em um número muito maior. Eventos como a Copa do Mundo, Olimpíadas, ou até grandes hidrelétricas chegam a absorver entre 30 mil e 40 mil funcionários para uma determinada obra. Então, acredito que a demanda cresceu mais do que a oferta. Mas, estamos caminhando para resolver isso. Há bons cursos profissionalizantes, o que gera uma renda maior para os trabalhadores.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), até outubro de 2102, foram criados 204 mil novos empregos formais (com carteira assinada) no setor de construção, um número 18% menor que no mesmo período de 2011. Qual a sua avaliação sobre isso?
A base de empregados, hoje em dia, é muito grande. As obras do boom imobiliário já tiveram o seu pico de absorção de mão de obra. Além disso, em 2012, houve uma certa redução do número de obras. Por isso, a queda. Mesmo assim, os empregos formais são uma realidade no setor atual. Na década de 90, esse cenário era bem pior. Hoje em dia, por exemplo, as pessoas estão retornando ao Nordeste para trabalhar, pois lá estão com muitas oportunidades. O mercado tem absorvido, inclusive, profissionais de outros países da América do Sul, como Bolívia, Paraguai, Peru ou Haiti.

A informalidade ainda é um problema para o setor da construção? Como isso pode ser reduzido de uma forma geral? A terceirização e a até a chamada quarteirização dos serviços contribuem para isso?
Recentemente, a informalidade dentro do setor diminuiu muito. Atualmente, não dá para trabalhar mais com empregados sem registros, pois as chances de acontecer problemas, principalmente de caráter trabalhista, são muito grandes. Atualmente, as empresas checam as terceirizadas para ver se estão regularizadas e se contam com profissionais registrados. A única exceção neste cenário são os autônomos. Mas, é fato que a informalidade caiu muito no mercado formal.

O custo de uma mão de obra especializada é alto para o empresariado da construção? Uma desoneração na folha de pagamento, por exemplo, poderia contribuir para os investimentos da indústria?
Sim, sem dúvida. O peso da mão de obra dentro do orçamento da empresa é maior do que há dois anos, por exemplo. Pode-se afirmar que, nos custos atuais da construção, 60% são referentes à mão de obra, enquanto 40% representam os materiais. Antigamente, os funcionários custavam cerca de um terço em relação aos gastos totais com uma obra. A carga tributária é muito alta se comparada com outros países. Funcionários bem remunerados produzem mais, porém, com esta quantidade de impostos e taxas, a nossa competitividade diminui muito.

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