30/10/2006

O luxo da tecnologia

Fonte: O Globo

O que os apartamentos mais caros da Barra têm que os da Zona Sul não têm

O luxo agora investe na Barra da Tijuca. E vem coberto de tecnologia. Com a escassez crescente de terrenos na Zona Sul do Rio — e a conseqüente disparada dos preços na área — o luxo vem caminhando de forma acelerada rumo à Zona Oeste. E se na Zona Sul ele é caracterizado pelo emprego de materiais nobres, por apartamentos amplos e pela própria localização do imóvel, na Barra o luxo está em tornar o apartamento cada vez mais automatizado.

Resultado: no endereço do luxo tecnológico, quem tem mais de R$1 milhão no bolso ganha acesso à inteligência residencial. Segundo a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), das 431 unidades lançadas no Rio de Janeiro, de 2001 a 2005, nessa faixa de preço, 210 estão na Barra. Sendo que, em alguns lançamentos feitos agora no bairro, quase tudo pode ser controlado só com um toque à distância (via celular, internet ou computador de bolso).

Está sendo lançado agora, por exemplo, o Riserva Uno, um dos empreendimentos que caracterizam essa tendência. Num terreno que tem 50 mil metros quadrados, o condomínio da Plarcon e RJZ/Cyrela terá cinco prédios, num total de 210 unidades. Mas é imóvel para poucos: os preços vão de R$1,8 milhão a R$3,3 milhões. São apartamentos que têm de 300 a 500 metros quadrados e onde os moradores não precisarão de chaves para entrar em casa, já que o sistema de leitura digital garante o acesso com o toque de um dos dedos.

— Só a Barra pode oferecer um empreendimento assim — garante o presidente da Patrimóvel, Rubens Vasconcelos, empresa que vai comercializar o Riserva, acrescentando que, juntos, tecnologia e localização tornam proibitivos os preços na Zona Sul. — A característica do luxo na Zona Sul é bem diferente. Em geral, lá se mora muito bem, mas com menos serviços e em imóveis menores.

Segundo o diretor da construtora Carmo e Calçada, João Paulo Matos, apartamentos maiores e tecnologia por custo mais acessível permitem que se more na Barra em apartamentos com o dobro de tamanho pela metade do preço da Zona Sul. Ele conta que em abril do ano passado, o primeiro bloco do residencial Bernini teve 60% de suas unidades vendidas no lançamento:

— O empreendimento oferece todos os recursos possíveis de inteligência, que também podem ser comandados por controle à distância. Houve tanta procura por esse tipo de imóvel, muito amplo e inteligente, que a área dos apartamentos do segundo bloco, o Ludovisi, lançado no fim do ano passado, aumentou para 429 metros quadrados, acima dos 300 metros quadrados do primeiro prédio.

Matos adianta, no entanto, que espaço amplo aliado a tecnologia não é tudo que o cliente quer. A integração com a natureza é outro item exigido. O Bernini, por exemplo, está localizado na Península, espécie de bairro cuja área equivale ao Leblon e que, após a construção de todos os prédios, deverá ter apenas 8% de ocupação.

Casa do futuro não tem aspirador de pó

Esses imóveis são como moradias do futuro, em que praticamente tudo pode ser programado para funcionar em horários marcados. Por exemplo? Escolher o cenário de iluminação que se pretende encontrar ao abrir a porta: intenso, romântico, penumbra. Em caso de viagem, é possível fazer com que a casa funcione como se alguém estivesse lá. Portas e persianas podem ser abertas e fechadas, luzes e equipamento de som, ligados e desligados. Tudo muito complicado? Nem tanto.

A empresa paulista I-House, que está chegando ao Rio, criou com exclusividade para o Riserva produtos inteiramente nacionais. Segundo o presidente da companhia, Leonardo Senna, todos os itens foram desenvolvidos de forma a garantir uma interação simples com os usuários:

— A maioria dos produtos que projetamos pode ser acionada com um simples toque. Existem recursos para os que desejarem programações mais complexas, mas eles são opcionais — adianta Senna, acrescentando que a I-House desenvolveu uma banheira, que, inclusive, regula a intensidade do fluxo de água e a temperatura.

O Fontvielle, da Carvalho Hosken com a JC Gontijo, é outro caso de tecnologia a serviço do conforto. Também localizado na Península, foi lançado este mês e, como os demais, contará com um painel de controle em cristal líquido capaz de monitorar quase tudo na casa, até os eletrodomésticos. Se uma luz ficou acesa, o morador é avisado. Aspirador de pó? Para quê? Na casa do futuro, a aspiração é central e os dutos ficam embutidos nas paredes.

— Nos últimos 15 anos, a Barra tem sido o caminho do crescimento imobiliário do Rio, e o lançamento de imóveis com essas características dificilmente seria viável em outro bairro — diz o diretor de Marketing da Carvalho Hosken, Ricardo Corrêa, concordando com seus colegas do setor.

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