04/03/2007

O mapa dos pólos de rua

Fonte: O Globo

Lojas de reforma e decoração a céu aberto fazem frente a shoppings do setor

Simone MarinhoZap o especialista em imóveisMóveis de Bali: polo, que começa a se formar na Barra e no Recreio, recebe clientes de todo o Brasil. Segundo profissionais do setor, a decoração ecológica está em plena expansão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na contramão do crescimento das redes de varejo e dos shoppings especializados em artigos para reforma e decoração, os pólos de rua do setor resistem. Mais que isso: crescem. Ampliam seus pontos de venda, constroem estacionamentos, abrem filiais. Um reflexo de que a grande variedade de produtos e a concorrência de preços são, reconhecidamente, fortes atrativos para o consumidor.

É difícil, por exemplo, pelo menos não pensar em Benfica — precisamente na chamada Rua dos Lustres (a Senador Bernardo Monteiro) — quando se quer comprar artigos de iluminação. A rua reúne cerca de 20 lojas do ramo, que oferecem de spots, que custam R$5, a lustres de cristal, por R$20 mil, cita Alexandre Vieira, diretor do Casarão dos Lustres. A loja, que tem 25 anos, recentemente construiu um estacionamento para seus clientes. E, há cinco meses, abriu um showroom na Barra. Mas todos os produtos saem de Benfica:

— Além de variedade e preço, as lojas da Rua dos Lustres ganham em estoque. Sempre temos artigos para pronta-entrega. E, como compramos em quantidade, conseguimos um bom preço nas fábricas e repassamos isso ao consumidor.

Simone MarinhoZap o especialista em imóveisTecidos decorativos: expostos em uma das lojas da Rua Bueno Aires

Na Saara, o comércio de tecidos decorativos é formado por umas 15 lojas, que se concentram, principalmente, na Buenos Aires. Arquitetos e decoradores são frequentadores assíduos desse comércio, que vende todo o tipo de tecidos — organzas, cheniles, sedas, couros ecológicos e sintéticos, linhos etc., nacionais e importados. E a diferença de preço para os shoppings pode passar de 200%.

— É claro que há prós e contras. O calor e a chuva afastam clientes. Mas as pessoas hoje investem mais em decoração, já que ficam mais em casa. E, assim, o movimento aumenta ano a ano, de forma que não sentimos o impacto do crescimento dos shoppings — afirma Frank Darzi, dono da tradicional Módulo 3, que tem mais de mil tipos de tecidos, e da caçula Tecitex, aberta há um ano.

Os azulejos antigos são um caso à parte: não há competição com os shoppings e as redes de varejo, pois esses artigos são encontrados somente nos pólos de rua. Mas essas lojas também se adaptam às exigências do consumidor moderno. É o que conta Maurício Duarte, dono da Museu dos Azulejos, a mais antiga da General Caldwell, no Centro. Na rua, há 30 lojas que recebem, por mês, umas duas mil pessoas, atrás de azulejos antigos originais ou, quando não há peças remanescentes, das réplicas fiéis, além das linhas especiais para mosaico.

— Prestamos atendimento personalizado. Temos como nossos grandes clientes os condomínios, que muitas vezes precisam repor azulejos do térreo à cobertura — diz Duarte, que tem filiais em Del Castilho, Copacabana e Barra da Tijuca.

Cerâmicas, louças e metais para banheiros podem ser encontrados no pólo da Rua Frei Caneca. São cerca de 30 pontos de venda — alguns, simples; outros, verdadeiros showrooms climatizados, com arquitetos para auxiliar os clientes e produtos exclusivos. Além dos preços que, via de regra, são cerca de 20% mais baixos, a pechincha também é um bom trunfo, afinal, atrás de boa parte dos balcões estão os proprietários:

— Hoje, 80% dos nossos clientes são arquitetos, que, conosco, têm facilidades que não encontram nas grandes redes — destaca Eduardo Almeida, gerente da Shopping Frei Caneca, que também já tem filial, na Barra.

Além de bom preço e pronta-entrega, o alto nível dos produtos é o principal chamariz das cerca de 30 lojas do pólo de decoração de Duque de Caxias, na Rodovia Washington Luís, muitas delas fornecedoras de lojas da Zona Sul e Barra. São móveis para salas, quartos e cozinhas, além de louças e metais de banheiros, tecidos e acessórios.

— Há produtos de altíssimo padrão, assinados por designers famosos. Uma fatia de nosso público é muito exigente: são executivos que trabalham nas empresas das redondezas e também moradores da Região Serrana que trabalham no Rio — destaca Antônio Luiz Garcia, diretor do Grupo IMI-Síntesi, que tem loja na rodovia, uma das âncoras do pólo.

 

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