13/01/2008

O mármore é nosso

Fonte: O Globo

Pedra branca nacional ganha mercado lá fora e, no Brasil,
já custa mais que o italiano de Carrara

O legítimo mármore de Carrara, importado da Itália, perdeu o seu reinado na decoração. A supremacia agora pertence a outro mármore, retirado de jazidas brasileiríssimas, do Espírito Santo — o chamado branco extra. Nos últimos anos, essa rocha ganhou fãs no mundo todo por ser totalmente branca, sem veio algum, e acabou ficando cara demais em terras nacionais: chega a R$900, o metro quadrado. Um mármore de Carrara varia entre R$250 e R$800, sendo que o mais caro, o Estatuário, também é branco, mas tem pigmentos acinzentados.

Marco Antônio TeixeiraZap o especialista em imóveisO primeiro, Branco Extra (nacional), na sequência, Aurora Pink (Portugal), Branco Carrara (Italiana), Verde São Nicolau (nacional), Bege Bahia (nacional) e Rosso Verona (Italiana)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Profissionais do setor de rochas ornamentais explicam que a alta do preço do branco extra se deve ao fato de que ele é quase todo separado para exportação.

— Com a moda clean, o mármore totalmente branco ganhou mais prestígio. E o branco extra é raro, porque nas jazidas os blocos da rocha vão sendo retirados e a maioria deles tem veios, riscos causados por infiltrações de água ou de claridade. Aqueles que não têm, que são todos branquinhos, são separados para a exportação, principalmente para a Europa — explica Ana Sarita Waks, dona da Nouveaux Mármores e Granitos, na Barra da Tijuca, uma das maiores indústrias do setor na cidade do Rio.

A alta do preço vem surpreendendo consumidores. Como a artista plástica Maria Zukin, que está reformando a casa que comprou no Humaitá e pretendia usar o mármore branco extra no banheiro:

— Há cinco anos fiz uma obra no apartamento onde morava, em Ipanema, e usei o branco extra no piso e no lavatório. Agora, o preço está proibitivo — diz Maria, que acabou escolhendo o mármore crema marfil, também de origem italiana, que é bege claro com alguns veios e custou R$450, o metro quadrado.

A arquiteta Solange Medina, conhecida por usar mármores de todos os tipos em seus projetos, ressalta que opções da pedra não faltam no mercado. De fato, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (Abirochas), em 2007, o volume de importações do setor ultrapassou 80 mil toneladas e o faturamento chegou a US$42 milhões, uma variação positiva de respectivamente 27% e 45% na comparação com 2006.

— O branco de Carrara durante muito tempo foi considerado o supra-sumo dos mármores, mas depois da entrada de tantas outras opções no mercado, perdeu a primazia. No Brasil encontra-se mármore de toda parte do mundo, até do Afeganistão — diz Solange.

Industrializados, a opção mais barata

Segundo Ana Sarita, que também é arquiteta, um tipo de mármore que vem ganhando mercado entre os que não querem pagar tão caro pelo branco extra é o pighes, importado da Grécia, que custa cerca de R$500. Mas, ressalta a empresária, apesar de branca, essa rocha tem pigmentos acinzentados.

— O thassos, também grego, é um dos brancos mais caros: sai por cerca de R$1,2 mil. Como o branco extra, é totalmente liso, mas é opaco. Já o nosso tem cristais que dão brilho à pedra — explica Ana.

A empresária lembra, ainda, que os mármores industrializados — aglomerados de mármore natural e resina, importados — também vêm sendo muito procurados, por ter preços bem mais atrativos. Outra vantagem do material é a sua resistência, sendo ideal para projetos de cozinhas. Custa a partir de R$200 o metro quadrado.

O mercado de rochas ornamentais também assiste ao crescimento do mármore anticato, que recebe um tratamento para ficar com aspecto envelhecido. Como esse processo elimina os problemas dos arranhões e do desgaste do piso onde circula um grande número de pessoas, o material ganha espaço nas áreas externas:

— O anticato vai no sentido inverso ao piso convencional: quanto mais desgastado, mais bonito fica — opina Ana Sarita, informando que esse material custa a partir de R$90.

 

 

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