17/12/2006

O que muda se a TR for revista

Fonte: O Estado de S. Paulo

Caso o governo federal decida mexer na fórmula do indexador, prestações pós-fixadas ficam mais atrativas

Armando Favaro/AEZap o especialista em imóveisRisco – Situações que provoquem instabilidade na economia podem provocar aumento dos juros com TR

Quem pretende financiar um imóvel deve estar atento às possíveis mudanças no cálculo dos juros. As instituições financeiras querem que o governo federal altere a fórmula da Taxa Referencial (TR) – usada na composição dos juros do financiamento habitacional pós-fixado. Os bancos alegam que o indexador não acompanha a queda da Selic, taxa básica de juros determinada pelo Banco Central, o que poderá causar distorções no futuro.

“Existe um alerta por parte dos bancos para que a queda dos juros passe a ser refletida na TR”, afirma o diretor de Crédito Imobiliário da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Natalino Gazonato.

Caso a revisão da TR ocorra, as modalidades de financiamento com taxa pós-fixada poderiam tornar-se mais atrativas, já que a tendência da Taxa Selic é de queda. “Seria mais justo para o mutuário”, diz Gazonato. Ele ressalta que a TR hoje está praticamente “travada”: “Durante um bom tempo, a taxa ficou em torno de 2,1 % (ao ano), mas antes essa distorção não estava transparente.” Para o executivo, com a queda consecutiva da taxa de juros, ficou claro que a fórmula deve ser revista.

Mas, na opinião de Gazonato, mesmo com uma possível revisão da fórmula da TR, o que deve ser levado em conta na hora de escolher entre financiamento com taxa pré ou pós-fixada é o perfil de disposição ao risco do mutuário. “Quem confia na economia do País, e acredita que a Taxa Selic vai continuar caindo, deve optar pelas taxas pós-fixadas.” Caso a previsão esteja certa, no fim do contrato, este mutuário será beneficiado com uma taxa de juro menor.

No entanto, caso ocorram situações que provoquem impacto e instabilidade na economia, como crises mundiais, os juros atrelados à TR deixam de ser atrativos. Dessa forma, a escolha por uma taxa pré-fixada pode poupar o mutuário de um indesejado aumento no preço das prestações.

“Quem é mais conservador, quer ter certeza de quanto vai pagar da primeira à última prestação e está disposto a pagar mais por isso; este tem a opção da taxa pré-fixada”, afirma Gazonato.

Hoje, os bancos já oferecem opções de financiamento com taxas pré-fixadas bastante atrativas. Mas elas ainda são um pouco mais caras do que o formato tradicional porque embutem nos juros a previsão de uma TR travada.

Produtos

Entre os bancos privados, o Santander foi um dos primeiros a lançar o produto, inicialmente com taxas em torno de 18%. Mas, com a entrada de produtos de outras instituições financeiras no mercado, o banco resolveu baixar os juros. Atualmente, o plano Supercasa 20 cobra 14% ao ano para imóveis a partir de R$ 40 mil.

No crédito com taxa pós-fixada, o banco oferece juros anuais de 7,95% mais TR nos primeiros 36 meses para imóveis de R$ 40 mil a R$ 120 mil; a partir do quarto ano, os juros sobem para 12%.

O Bradesco oferece taxa fixa para imóveis até R$ 350 mil de 13,5% ao ano, para financiamentos com prazo até dez anos, e de 14% ao ano para financiamentos até 20 anos. “A grande vantagem é que o cliente tem absoluta previsibilidade. Se fizer a conta e a prestação couber no bolso hoje, vai caber até o fim”, afirma o diretor de Empréstimos e Financiamento do banco, Alexandre Glüher. Na modalidade pós-fixada, o Bradesco oferece taxa de 8% mais TR ao ano nos primeiros três anos para imóveis até R$ 120 mil.

A linha Credimóvel, do HSBC, oferece taxa de 1% ao mês ou 12,68% ao ano para imóveis a partir de R$ 200 mil. “Esse produto foi o mais barato que conseguimos fazer”, afirma Roberto Sampaio, diretor de Crédito Imobiliário do banco. A taxa pós-fixada fica em 8% mais TR ao ano nos primeiros 36 meses para imóveis até R$ 100 mil.

No Unibanco, é possível financiar com taxa pré-fixada de 14%, para imóveis até R$ 350 mil, com 15 anos para pagar. “A escolha depende da personalidade da pessoa. Essa é uma opção para quem não quer apostar”, afirma Renato Ventura, superintendente de Negócios Imobiliários do banco.

Quem opta pelo financiamento tradicional paga juros de 8% mais TR para imóveis até R$ 120 mil nos três primeiros anos. Depois, o juro sobe para 12%. Acima de R$ 350, a taxa fica em 12,5% mais TR.

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