30/10/2006

O risco de comprar por cooperativa

Fonte: O Estado de S. Paulo

Paralisação de obras trouxe insegurança para quem pretende adquirir imóvel por meio de rateio de custos

Uma forma acessível de adquirir a casa própria é por meio de cooperativas. Mas denúncias e ações judiciais coletivas envolvendo a Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) – a maior do mercado – têm colocado em dúvida a segurança dessa modalidade de compra. Cooperados reclamam de paralisação de obras, atraso na entrega e a falta de transparência na prestação de contas.

O bancário Luis Jacomi comprou na planta um apartamento de um dormitório na Rua Bela Cintra, Cerqueira César. A previsão de entrega era para dezembro de 2005, mas as obras estão paradas na altura do sétimo andar desde o início deste ano. Jacomi que já quitou seu apartamento prevê um atraso de, no mínimo, mais dois anos. “A cooperativa já gastou todo o dinheiro”, reclama.

Desde o início do ano, quando foi nomeada uma nova diretoria para a Bancoop, a cooperativa passa por um processo de revisão de contas. “O maior problema foi que o custo estimado de alguns empreendimentos foi muito baixo, o que trouxe dificuldades no fluxo de caixa”, diz o presidente João Vaccari Neto.

Além disso, proprietários de imóveis que já foram entregues receberam cobrança de rateio de diferenças que vão até R$ 80 mil. “Muitos empreendimentos foram concluídos com dinheiro que não era proveniente das receitas do grupo. E deveria ter sido feito o rateio entre os cooperados, mas a antiga gestão não o realizou”, justifica Vaccari Neto.

Comissões

Para cobrar respostas e negociar com a Bancoop, os cooperados têm formado comissões por empreendimento. O professor Ralph Panzutti é um dos dez que formam a comissão do condomínio Saint Paul, na Vila Mariana, composto por três torres. O empreendimento ainda não começou a ser construído.

O grupo, no entanto, não acusa a cooperativa de infringir a lei e não deve mover ação na Justiça. Panzutti entende que cooperação é diferente de empresa. “Na construtora, o empresário admite o risco em caso de falta de caixa porque trabalha com expectativa de lucro. Numa cooperativa não pode haver isso.” Ele explica que os cooperados autofinanciam a obra e o risco é assumido no contrato – fator que é compensado pela vantagem de comprar um imóvel com preço de custo abaixo do valor de mercado.

O maior equívoco da Bancoop, na opinião de Panzutti, foi a estratégia de marketing. “Criou expectativa de que ia entregar no ano seguinte, usou expediente de empresa para atrair mais compradores, sendo uma cooperativa”, diz. Diante da atual situação, o melhor que ele considera a ser feito é acompanhar as contas de forma a garantir que não haja rateio de diferenças no fim da obra. 

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