04/11/2010

O setor de cerâmica em busca da consolidação

Fonte: O Estado de São Paulo

Segundo maior produtor e consumidor de revestimentos cerâmicos do mundo, atrás apenas da China, o Brasil é também um dos mais pulverizados. Nada menos de 98 fabricantes disputam uma fatia de um bolo estimado em R$ 8 bilhões anuais – nenhum deles detém um market share superior a 10%. Para complicar, a existência dessa quase centena de competidores é contrabalançada, na ponta da distribuição, por um intenso processo de centralização.

Liderado pela gigante C&C, o varejo foi alvo da invasão de grandes grupos estrangeiros, como as francesas Castorama, Leroy Merlin e Saint Gobain, dona da Telhanorte. “Quem tem de controlar o mercado é a indústria”, diz Edson Gaidzinski Jr., presidente da catarinense Eliane, que disputa a liderança do mercado nacional azulejo a azulejo com a conterrânea Cecrisa. “Precisamos ter empresas fortes para investir em tecnologia, novos produtos e design.”

Desde 2006 à frente da Eliane, Gaidzinski Jr., que também preside a Anfacer, a entidade do setor, é o representante da terceira geração de sua família no comando da empresa baseada em Cocal, no sul de Santa Catarina. Para Gaidzinski Jr., a indústria deveria seguir os passos do varejo e buscar o caminho de fusões e alianças para aumentar seu cacife. Um empecilho, seria o fato de que a maior parte dos fabricantes é constituída por empresas familiares, nem sempre transparentes, o que inibiria outra vertente da consolidação, a entrada de novos players, como os fundos de investimentos. “Mesmo assim, se eu fosse um banqueiro de investimento, estaria atento às oportunidades no setor” , diz Gaidzinski Jr. “Isso não significa que a Eliane esteja procurando comprador. Ao contrário: queremos ser atores num eventual processo de fusões.”

Fábrica na Ásia. Dona de um faturamento que deve chegar a R$ 640 milhões em 2010, a Eliane é a maior exportadora brasileira do setor cerâmico, responsável por 25% do que é vendido lá para fora. Em outras épocas, porém, esse título era garantia de mais dólares do que hoje nos cofres da empresa. Até meados da década, por exemplo, 60% das receitas da Eliane vinham da exportação. Hoje, os embarques diretos de uma de suas sete fábricas (cinco em Santa Catarina e duas em Camaçari, na Bahia), somadas à produção terceirizada em países como a Colômbia, Malásia e China, representam apenas 15%. “A combinação do real valorizado e da crise econômica nos Estados Unidos e na Europa encolheram as encomendas”, diz Gaidzinski Jr. Nem por isso ele admite desistir do mercado externo. Ele pretende, por exemplo, construir uma fábrica na Ásia, associado a investidores locais. “A ideia é abastecer a região.”

Internamente, a Eliane, que investiu R$ 50 milhões no ano passado para aumentar sua capacidade de produção, acredita estar em condições para atender a demanda gerada pelo boom imobiliário. “O mercado interno foi a salvação da lavoura para o setor”, afirma. “Os investimentos em aeroportos e hotelaria para a Copa e para as Olimpíadas, são a garantia de que esse bom momento continuará até 2015.” Nessa época, a Eliane pretende chegar a seu primeiro R$ 1 bilhão de faturamento.

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