04/01/2010

Objetos raros de arte e desejo

Fonte: O Estado de S. Paulo

Em retrospectiva, Sawaya & Moroni mostra que a não repetição é a filosofia do trabalho da empresa

William Sawaya (Foto: Divulgação)
William Sawaya (Foto: Divulgação)

William Sawaya Design arte. Muito antes de a expressão ganhar as páginas das revistas especializadas, William Sawaya e Paolo Moroni já se exercitavam com desenvoltura pelas águas turbulentas da produção de objetos únicos. Ou raros, para se dizer o mínimo. Subvertendo a ideia da produção em série, suas coleções sempre se esmeraram por representar, antes de tudo, um instantâneo da vida de seus criadores.

Como não poderia deixar de ser, a Era das Linguagens, mostra apresentada na última edição da Abitare il Tempo, em Verona, reunindo em retrospectiva 25 anos da Sawaya & Moroni – fundada e mantida pela dupla em Milão -, é o retrato acabado de uma empresa que faz da não repetição sua dinâmica de atuação. E da complexidade, um poderoso estímulo.

“Eles não seguem tendências; eles a preveem de forma pontual, com sensibilidade aguda”, argumenta a crítica de design e fiel admiradora Cristina Morozzi. Dotados de características únicas, cada móvel, cada objeto editado pela Sawaya & Moroni parece apontar para uma direção diferente. Parece ter sua própria história para contar.

Com cenografia assinada pelo próprio William Sawaya, a mostra na Abitare optou por tratar cada peça como personagem central, enfatizando suas diferenças de escala, formas e técnicas de produção – todos muito diferentes uns dos outros. Todos com muito pouco a compartilhar, afora a particularidade de possuírem identidade própria.

“Poucas empresas são capazes de expressar a riqueza material de sua época como a Sawaya. Com espantosa coerência, seus produtos são como fragmentos. Partes de uma época fragmentada como a nossa”, observa o crítico Vani Pasca no catálogo da mostra, sinalizando a ausência de analogias a guiar o percurso do visitante na mostra.

Surpreendente também é o fato de uma coleção tão diversificada ter sido produzida em tão curto período de tempo. “Eles sempre transitaram por um terreno híbrido, uma interface entre arquitetura, arte e design que só agora passou a adquirir reconhecimento internacional”, afirma Pasca.

COLEÇÃO PIAZZA – Pioneira em convocar arquitetos para se aventurarem no campo do design, a Sawaya é uma das raras companhias capazes de reunir em catálogo peças assinadas por nomes do porte de um Michael Graves ou de uma Zaha Hadid. Daniel Libeskind, por exemplo, é a estrela da coleção 2009, com a Piazza, um conjunto de chá e café de prata, que transmuta bules e xícaras em torres e edifícios.

“A maioria das empresas teme a intervenção de arquitetos nas suas linhas, alegando a complexidade envolvida em seus projetos, mas esse não é o nosso caso”, diz Moroni, sempre às voltas com processos tecnológicos capazes de fornecer a infraestrutura necessária à produção de objetos, via de regra, complexos. E, à primeira vista, impossíveis.

Também arquiteto, Sawaya, por sua vez, procura lidar de forma respeitosa com as técnicas artesanais, fazendo-as coexistirem de forma saudável com inovações industriais. Não nega a exclusividade e os altos preços envolvidos nas criações da empresa – um sofá desenhado pela iraquiana Zaha Hadid para a marca pode chegar aos 200 mil. Mas ainda assim acredita no poder transformador do design.

Como exemplo, cita um de seus projetos preferidos, a Bella Rifatta, uma cadeira de plástico reciclado. “O design conferiu à matéria-prima uma maior dignidade estética, liberando a reciclagem de sua conotação habitual. É uma forma de mostrar que beleza também pode ser combinada com ética”, afirma.

LEIA MAIS:

SELO VERDE BRASILEIRO GANHA PROJETO PARA CASA-PROTÓTIPO

HÁ OPÇÕES PARA TODOS OS GOSTOS, DE IMÓVEIS SIMPLES AOS MAIS LUXUOSOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.