30/10/2006

Obra tenta devolver segurança à Sé

Fonte: O Estado de S. Paulo

Projeto de reforma nessa praça e na República procura dificultar a vida de morador de rua e batedor de carteira.

Vistas no cartão-postal, as Praças da Sé e da República, no centro de São Paulo, despertam curiosidade. São vazias. Nem parece que nas estações abaixo de ambas circulam quase 700 mil pessoas por dia, segundo o Metrô. Teria o fotógrafo feito as imagens de madrugada? Na verdade, exceto moradores de rua, batedores de carteira e michês, poucos se aventuram ali.

Para os técnicos da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), a culpa é principalmente da arquitetura. Por isso, a reforma das duas praças, que começou neste mês e vai até novembro, inclui recursos específicos, como o rebaixamento da iluminação da República ou a criação de área pantanosa na Sé, para aumentar a sensação de segurança nesses locais.

“É um círculo vicioso. Ninguém entra porque se sente inseguro e essa percepção se dá porque as praças são vazias”, diz o vice-presidente da Emurb, Geraldo Biasoto Júnior.

Na Sé, as mudanças começam pela demolição dos níveis de piso e jardineiras muradas, que criam nichos ideais para quem não tem moradia improvisar um abrigo. Com os acessos da estação, no túnel que leva à Rua do Carmo, os becos ajudam os batedores de carteira.

Há muito tempo, dois acessos desse túnel foram fechados com grades, por serem pouco usados. “Mesmo assim, os passageiros reclamam das ameaças feitas por marginais do lado de fora. Volta e meia, fazemos ronda no local”, contou José Luiz Bastos, chefe de segurança do Metrô.

Estudos da Secretaria Municipal de Assistência e Promoção Social indicam que cerca de 2.500 moradores de rua vivem no centro e têm a Sé como parada obrigatória. “Com o início da reforma, vimos que eles foram para o Vale do Anhangabaú, Santa Cecília e Parque D. Pedro II. Estamos monitorando”, disse o secretário Floriano Pesaro.

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