14/02/2008

Obras de R$33,2 milhões

Fonte: Jornal da Tarde

Prefeitura vai investir em 11 projetos de melhoria urbana na Água Branca, em Perdizes e na Barra Funda

Paulo Pinto/AEZap o especialista em imóveisPrédios em construção na região da Operação Urbana Água Branca

Treze anos depois do início da Operação Urbana Água Branca, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) aplicará, até o fim deste ano, R$33,2 milhões em 11 projetos de melhorias, já licitados, para Perdizes, Barra Funda e Água Branca, na Zona Oeste. A medida também atende interesses de construtoras que tentam vender unidades habitacionais e construir novos empreendimentos nessa região,segundo fontes da Prefeitura.

São alargamentos de ruas, mudanças de cruzamentos, um novo
retorno noViaduto Pompéia e uma praça entre o Parque Fernando da Costa e o Memorial da América Latina.As intervenções serão feitas com as contra partidas pagaspor 22
empreendimentos que se instalaram nos bairros desde 1995, informou ontem o gerente de Operações Urbanas da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Vladir Bartalini.

As melhorias vão ocorrer na região considerada um dos filões do mercado na Capital – são sete prédios em construção só na Rua Joaquim Ferreira e na Avenida Santa Marina, vias próximas à linha da CPTM que vão receber parte das obras. “Temos uma região com infra-estrutura, metrô, shopping. E o mercado imobiliário só percebeu agora a vocação residencial no entorno desses equipamentos.”

Somados, Perdizes (2.971), Água Branca (600) e Barra Funda (1.568)registraram 5.139 unidades habitacionais lançadas entre 2004 e 2007, segundo a Empresa Brasileira d eEstudos do Patrimônio (Embraesp). Dos 22 projetos aprovados nessas regiões nos últimos 13 anos, 12 são residenciais. A previsão da Prefeitura é de que a densidade demográfica na Água Branca, hoje de 23,15 habitantes por hectare, salte para 250 habitantes/hectare até 2025. A Prefeitura diz que, com os equipamentos públicos existentes, essa taxa de ocupação seria a ideal.

O Executivo ainda pretende enviar um novo projeto à Câmara,
até o fim do semestre, para conseguir autorização para desapropriar uma área de 250 mil metros quadrados entre o Viaduto Pompéia e a Marginal do Tietê. Segundo Bartalini,
a intenção é atrair novos empreendimentos para o que ele diz
ser a segunda etapa da Operação Urbana Água Branca – projeto para a ocupação dessa área e do entorno da linha da CPTM que foi lançado em 2004, na gestão Marta Suplicy
(PT), com o nome de Bairro Novo. Para o vereador Paulo Fiorilo (PT), o projeto é uma cópia do Bairro Novo. “É idêntico ao nosso projeto.”

As contrapartidas pagas pelos empreendimentos que se instalaram na região ocorriam assim: se um empreendedor tinha autorização para construirem100 mil metros, mas construiu em 150 mil, tinha de pagar uma indenização – só o Shopping Bourbon, na Francisco Matarazzo, pagou R$6,5 milhões.

Reações

No anúncio das 11 obras feito pelo diretor da Emurb, Rubens Chamma, em audiência na Sub prefeitura da Lapa, anteontem (12), houve comemoração de consultores de imóveis e representantes de construtoras. Entre os moradores, houve indignação com a falta de informações sobre as licitações e o uso do dinheiro das contrapartidas.

Representantes da Associação Amigos de Vila Pompéia prometem entrar com mandado judicial contra o pacote. “Ninguém falou como foram as licitações, quanto custou cada projeto. Nos chamaram e anunciaram que vão gastar os nossos
R$ 33 milhões em projetos de interesse das construtoras”, critica Maria Antonieta Lima e Silva, presidente da entidade. “
Nós já estamos estudando um mandado judicial para barrar as obras.” A associação, ao final da reunião, divulgou um documento que manifesta a posição contrária à destinação das contrapartidas dos investidores.

Consultora de imóvel presente na reunião, Laura Lourenço Baialuna defendeu os projetos. “São coisas boas para os dois lados, para a população e para as construtoras.” Luiza Nagib Eluf, subprefeita da Lapa, avalia que os projetos atendemos
interesses da comunidade. “No geral, esses projetos visam remodelar a região e integrar a população aos equipamentos públicos, como o metrô e o Memorial da América Latina”, disse.

 

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