03/11/2008

Obras em tempos de crise

Fonte: Jornal da Tarde

Para analistas, talvez não seja o momento ideal para aquela reforma de fim de ano

Em momento de crise no mercado financeiro internacional e incertezas sobre os impactos dessa turbulência na economia brasileira, a dúvida é: começar ou não a obra ou reforma neste momento? Para colocar mãos à obra e investir em construção, o cenário é nebuloso, ainda mais com as altas nos preços dos materiais. Para os especialistas, se quem vai construir tem dinheiro em caixa para a obra, o momento pede cautela e negociação. Se a opção é financiar a obra, esqueça o plano por enquanto.

Tanto lojas quanto índices de preço apontam que, até o momento, a crise não chegou ao material de construção. Pelo contrário, o setor passa por uma valorização de preços por conta da alta da demanda. Segundo o INCC-10 (Índice Nacional de Custo da Construção) de outubro, medido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas ), a obra está 12,04% mais cara em um ano. Os materiais subiram 15,83%, enquanto a mão-de-obra 8,91%.

“Acredito que o setor imobiliário vai passar por uma desaceleração, o que vai diminuir a demanda de produtos e serviços. Mas, nos preços dos materiais e mão-de-obra, isso só vai ser sentido no ano que vem, pois ainda temos muitas construções contratadas”, comenta Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da FGV.

Com a baixa da demanda, queda das commodities e dólar estável, Quadros acredita que os preços devem ficar, pelo menos, nos mesmos patamares. “Acho difícil cair e, se ocorrer, vai ser apenas ajuste. Parece que essa desaceleração já pode ser verificada, pois o vergalhão de aço, que subiu 45,76% nos últimos 12 meses, teve alta de 8,69% em setembro, mas subiu 2,54% em outubro.”

Para o coordenador, quem esperou até agora, pode esperar mais um pouco. “Quem tem dinheiro na mão em tempos de crise manda. Se houver desaquecimento do setor, o poder de barganha do comprador aumenta. Por isso, esperar pode indicar melhores promoções e descontos. Mas para quem quer financiar, esse não é o momento, pois temos juros em alta”, analisa.

Para o consultor e sócio da Dextron Management Consulting, Celso Ienaga, que realiza pesquisas na área de construção civil, quem tem dinheiro em caixa já pode começar a negociar preços. “Quem tem projeto em andamento não vai parar e pode começar a procurar as promoções. Já para quem vai financiar a obra ou reforma, o melhor é esperar. Acredito que em janeiro teremos a situação mais clara para falar de juros”, avalia.

O gerente de Pini Engenharia Bernardo Correia Neto aposta na queda de preços, mas também acredita que o momento é de cautela. “O ritmo de obras vai diminuir, mas não agora. O mercado não vai parar por causa da crise, mas a tendência é os custos da obra caírem”, diz. 

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