19/12/2012

Obras para Copa-2014 geram prejuízo para a construção civil

Fonte: ZAP Imóveis

Segundo especialistas do setor, os atrasos nos projetos de estádios e aeroportos vão fazer o setor gastar quase R$ 1 bilhão a mais para realizar o Mundial de 2014

Engana-se quem pensa que o setor da construção civil tem registrado lucros recordes com as obras de estádios, aeroportos e mobilidade urbana para a Copa do Mundo de 2014, a ser realizada no Brasil.

Com os atrasos nos projetos que visam o Mundial, o setor terá de gastar, pelo menos, R$ 800 milhões a mais para realizar o evento, segundo profissionais da área.

O valor se deve à despesa adicional com turnos extras de trabalhadores para que as obras não estourem ainda mais os prazos. Nove arenas esportivas e sete aeroportos serão erguidos por funcionários que têm trabalhado em três turnos, incluindo a madrugada.

“A maioria dos projetos de mobilidade urbana está atrasada. Isso gera atraso nos investimentos e prejuízos para o setor”, apontou Mário Fleck, presidente da Rio Bravo Investimentos, em entrevista ao ZAP Imóveis em evento em São Paulo.

Os motivos para os atrasos nas obras se devem desde às greves de funcionários à falta de recursos do governo federal. Com isso, o lento andamento nas obras de reforma ou construção pode excluí-las do PAC da Copa-2014, programa do governo federal.

Caso não atendam seus cronogramas, as obras correm o risco de migrar para o PAC da Mobilidade, acarretando a perda de benefícios como, por exemplo, o regime diferenciado de contratações. Foi o que aconteceu, por exemplo, em Brasília com o Veículo Leve sobre Trilhos, excluído da lista de “legados” do Mundial, já que o governo do Distrito Federal não entregará a obra a tempo dos jogos.

“Há também muita demora nas licitações. As obras, em geral, estão muito atrasadas. Hoje em dia, por exemplo, é impossível chegar a São Paulo. Nos aeroportos, só estão fazendo puxadinhos”, completou.

Obras para Copa-2014 geram prejuízo para a construção civil
Com os atrasos nos projetos que visam o Mundial, o setor terá de gastar R$ 800 milhões a mais para realizar o evento (Foto: Banco de Imagens/Think Stock)

Na construção do estádio do Corinthians, em São Paulo, a Odebrecht ainda não enfrentou nenhuma paralisação. Em contrapartida, na Arena Amazônia, em Manaus, a construtora Andrade Gutierrez foi acusada de assédio moral no canteiro de obras, o que fez os operários cruzarem os braços.

Além disso, como observado em outros países, os empregos gerados com os Mundiais são, na sua maioria, temporários. Segundo o Ministério dos Esportes, é esperada a geração de cerca de 710 mil empregos, sendo 330 mil postos permanentes e 380 mil temporários no período do evento.

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