02/05/2007

Oferta vai triplicar o crédito imobiliário

Fonte: O Estado de S. Paulo

Participação deve crescer dos atuais 2% para 7% do PIB, em três anos

Infográfico/AE Zap o especialista em imóveis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O efeito “Casas Bahia” no crédito imobiliário, com oferta abundante de financiamentos, prestações fixas e prazos a perder de vista, provocou uma corrida dos bancos para emprestar às construtoras e ao consumidor. Isso pode mais que triplicar a fatia do crédito imobiliário no Produto Interno Bruto (PIB) em três anos, dos atuais 2% para, no mínimo, 7%, segundo especialistas.

“Se antes as construtoras procuravam as instituições financeiras, agora ocorre o inverso”, diz o diretor de Desenvolvimento Imobiliário da Schahin Cury, Newman Brito. O assédio dos bancos é crescente e inclui a partir de agora não apenas a oferta de juros menores e planos de pagamento com mensalidades fixas, mas também agilidade nas negociações.

“É possível comprar um carro e sair dirigindo da concessionária em poucos dias, mas ainda demora cerca de três meses para obter a papelada para a compra de um imóvel”, compara o superintendente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Carlos Eduardo Duarte Fleury.

A disputa pelo cliente, seja ele o consumidor ou a construtora, foi motivada pela tendência de queda da rentabilidade dos títulos públicos. Também as instituições financeiras já perceberam que, se o Brasil alcançar, em breve, o grau de investimento, recursos de fundos de investimento irão desembarcar aqui em busca de bons negócios de longo prazo, como a compra de títulos imobiliários.

“Para os bancos , a aposta no crédito imobiliário cai como uma luva”, diz o economista da LCA Consultores Braulio Borges. Como já não existe tanto espaço para as instituições financeiras crescerem no crédito ao consumo, emprestar dinheiro para compra da casa própria abre a possibilidade para os bancos venderem esses créditos a fundos de investimentos. Com isso, as instituições financeiras embolsam a sua parte e se livram do risco da operação. Só nos Estados Unidos, o mercado de securitização de títulos imobiliários movimenta US$ 4 trilhões. Atualmente, o patrimônio dos fundos de pensão no mundo é de US$ 13 trilhões.

No Brasil, esse filão é praticamente inexplorado. O crédito imobiliário representa apenas 2% do PIB, ou R$ 39,5 bilhões. Essa marca é inferior à de outros países emergentes como México (9%) e Chile (13%), segundo dados de 2005 de um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Nessa lista, o Brasil só se equipara à Índia, observa Borges. Nas suas contas, a perspectiva é que, em três anos, o crédito imobiliário corresponda a 7% do PIB ou R$ 163 bilhões para os níveis atuais de PIB.

Ambição

Os números dos bancos são mais ambiciosos. O Bradesco, por exemplo, espera que o crédito imobiliário responda por 12% do PIB até 2014, segundo o vice-presidente, Norberto Barbedo. Ele argumenta que o mercado está reagindo às ofertas mais agressivas, especialmente de redução das taxas de juros.

Há dez dias, por exemplo, o Bradesco reduziu de 14% para 12,5% ao ano a taxa de juros dos financiamentos imobiliários com prazo de 20 anos e prestações fixas. Com isso, ampliou a procura de financiamento prefixado. De cada 100 propostas recebidas, 25 são para financiamento prefixado. Antes do corte, essa demanda era de 10 propostas.

“Ainda há movimentos que devem ser feitos para facilitar as operações de crédito imobiliário”, diz o executivo, citando parcerias com imobiliárias. O banco, que inicialmente projetava fechar o ano com carteira de crédito imobiliário de R$ 3 bilhões, ante R$ 2,1 bilhões em 2006, acredita agora que irá superar essa meta. “Estamos cada vez mais atentos ao movimento dos juros no mercado futuro”, diz o executivo, sugerindo novos cortes nas taxas.

Como representante do maior banco privado nacional, Barbedo afirma que o avanço da concorrência estrangeira não o preocupa. É que o banco espanhol Santander foi pioneiro nos empréstimos com prestações fixas, antes mesmo de o governo autorizar o uso dos recursos da poupança para essa modalidade de financiamento.

“Hoje somos os líderes do crédito imobiliário com parcelas fixas”, afirma o superintendente de Crédito Imobiliário do Santander Banespa, José Manoel Alvarez Lopes. Ele conta que um terço da carteira de crédito imobiliário do banco no Brasil é de financiamento com prestação fixa, por 20 anos, com juros hoje de 14% ao ano.

Lopes ressalta que o banco quer investir na prestação de serviços para conquistar o cliente da área imobiliária. “Queremos ter o crédito fácil e rápido, com a aprovação dos financiamentos em 15 dias, ante uma média do mercado de dois meses.”

Nessa direção, por exemplo, o banco não exige, para as operações realizadas em São Paulo, certidão do vendedor do imóvel. Também faz três meses que foi criada uma área só para atender as construtoras. Ele destaca que a taxa de juros não é tudo que o consumidor tem de olhar na hora de fazer o empréstimo, mas o conjunto de benefícios.

Para o Santander, o crédito imobiliário é um produto chave, diz Lopes. De cada US$ 2 emprestados pelo banco no mundo, US$ 1 é de crédito imobiliário. “Aqui, essa fatia é de 10% e pretendemos atingir 50% num prazo de três a cinco anos.”

 

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