07/09/2007

Os mais ´baratos` dos mais ´caros`

Fonte: Jornal da Tarde

Especialistas afirmam que é possível encontrar boas ofertas em todos os bairros nobres da cidade

Marcos Mendes/AEZap o especialista em imóveisMal se consegue distinguir onde terminam as ruas da Santa Cecília (acima) de onde começam as de Higienópolis, mas o preço dos imóveis são bem visíveis

 

 

Entre todos os fatores que definem a escolha de um imóvel, a localização ainda é o mais relevante para quem o procura. Seja pela proximidade do eixo empresarial da região, por conta da qualidade de vida que ela proporciona, ou, simplesmente, pelo status que carrega, morar em um bairro nobre, com infra-estrutura e prestígio consolidados, é o sonho de consumo de muitos paulistanos.

Embora as características acima descritas, aliadas à inesgotável procura por unidades nas localidades bem conceituadas, acabam elevando o valor dos produtos a cifras exorbitantes. É possível sim encontrar boas ofertas nas regiões supervalorizadas da cidade. Na tentativa de traçar onde estão os imóveis mais ‘baratos’ dos bairros mais ‘caros’ da Capital, a reportagem ouviu de especialistas do mercado imobiliário que as ‘pechinchas’ estão pulverizadas.

“É possível encontrar boas ofertas em todos os bairros caros de São Paulo”, pontua a gerente de locação e vendas da Lello Imóveis, Roseli Hernandes. A lista, exemplifica, vai desde os cobiçados Jardins, Higienópolis e Moema até os não menos desejados Itaim, Morumbi e Perdizes. “O giro dos imóveis nas localidades supervalorizadas é muito rápido. É preciso ter paciência e pesquisar bastante nas imobiliárias que atuam na região”, alerta.

Segundo o diretor comercial de revendas da Lopes, Daniel Dequech, esses imóveis são, em sua maioria, mais antigos – mais de dez anos de construção -, têm dimensões bem mais modestas – um ou dois dormitórios e área útil inferior a 90 m² -, cujos preços variam entre R$ 100 mil e R$ 250 mil. “Mesmo nas regiões mais valorizadas é possível achar imóveis de até R$ 200 mil, mas com metragem menor”, relata.

A corretora Raquel Graciolla, da Camargo Dias Imóveis, salienta, contudo, que aqueles que buscam um imóvel bem localizado e com preço enxuto devem estar cientes de que terão de abrir mão de ambientes espaçosos e grandes atrativos no prédio. “Muitas pessoas procuram imóveis de R$ 130 mil, por exemplo, com metragem superior a 80 m² e querem lazer completo no condomínio. Isso não existe nessas regiões”, diz.

Em contrapartida, adquirir uma unidade em um bairro com valorização consolidada é assegurar a rentabilidade do bem. “As regiões mais valorizadas hoje já eram assim anos atrás e vão continuar a se valorizar porque a procura é sempre muito grande”, explica o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto.

A dica para encontrar produtos baratos em regiões caras, conta Viana Neto, é procurar na “periferia” dos bairros nobres. Mesmo assim, adianta ele, o produto ideal demandará muita paciência com pesquisas e procuras. “A maior dificuldade é que os imóveis voltados para a classe média estão em falta no mercado”, avalia.

Já Daniel Dequech, da Lopes, aconselha o interessado a avaliar as condições físicas do imóvel e a calcular o preço do metro quadrado para saber se o custo-benefício compensa. “O cliente deve analisar tudo para saber se vale a pena mesmo comprar na região.”

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