17/06/2007

Ousadia é fundamental

Fonte: O Globo

Concorrência acirrada faz construtoras investirem
nos projetos das fachadas

Fábio RossiZap o especialista em imóveisSérgio Caldas, “arquiteto do ano” da Ademi: trabalho com grandes panos de vidro, até nos peitoris de janelas

O crescimento do mercado imobiliário está acirrando a concorrência, inclusive, entre as construtoras. Resultado: depois de um longo período em que a maioria das fachadas dos prédios cariocas parecia saída de uma linha de montagem, vêm surgindo empreendimentos de plástica mais arrojada no belo cenário da cidade. Cores, formas, volume e revestimentos são cuidadosamente estudados para garantir que a construção não será apenas mais uma. Afinal, fachada é sempre um cartão de visitas.

Por trás de muitos desses projetos, estão jovens profissionais, que tentam imprimir sua marca em seus trabalhos. E as construtoras estão, de fato, apostando neles:

— Em muitos empreendimentos, contratamos um escritório de arquitetura com o qual já estamos acostumados a trabalhar para fazer a planta e outro, de profissionais mais jovens, para projetar a fachada. Buscamos com isso dar chance para as novas idéias — destaca Flávio Ramos, diretor da regional Rio da Klabin Segall, dando como exemplo o Cores da Lapa.

Inspirado no Soho nova-iorquino, o Cores da Lapa pretende transmitir a idéia de um novo bairro dentro da Lapa. Por isso, o escritório De Fournier, responsável pelo projeto com o Arquitetural, sugeriu para a fachada um jogo de volumetria — prédios de diferentes alturas e larguras — e cores.

— Nenhum bloco é igual ao outro. Assim, demos um caráter pessoal aos prédios. O morador sabe identificar qual é o seu — explica Suzanne Passburg, uma das sócias do De Fournier.

A CHL, conhecida pela preocupação com a estética das construções, costuma promover concorrência para escolher o escritório de arquitetura que fará a fachada de seus prédios.

— Dependendo do ponto, investimos o tempo e o dinheiro necessários para marcar a presença da empresa no local — diz Marcos Saceanu, diretor de incorporações da construtora, lembrando que nem sempre a ousadia está atrelada à juventude. — Alguns de nossos projetos mais ousados são do Ruy Ohtake, que é um profissional sênior. Como o Lagoa 1000, em que há um grande elemento central revestido de cobre envelhecido e varandas em formas de ondas desencontradas.

Com um trabalho bem contemporâneo, a RAF Arquitetura é um dos escritórios que trabalha em parceria com a CHL. Aníbal Sabrosa, um dos sócios da RAF e presidente da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea), lembra que a primeira vez em que usaram vidro curvo, o material nem existia no Brasil. Era importado.

— Procuramos tirar partido da tecnologia para fazer uma arquitetura do nosso tempo. Assim como é possível identificar que o Village São Conrado, na Estrada da Gávea, é um exemplar dos anos 80, queremos que nossos projetos identifiquem a época em que vivemos — diz Sabrosa.

Varandas ganham reentrâncias para dar lugar a árvore

Apesar de ter poucas obras já concluídas, Sérgio Conde Caldas é um dos nomes mais lembrados quando se fala em ousadia nas fachadas. Eleito o “arquiteto do ano” no Prêmio Ademi 2006, da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário, Caldas já chegou a projetar um prédio — o Conde de Taunay, no Jardim Botânico, da Concal — em que desenhou reentrâncias nas varandas para dar espaço para uma árvore bem alta, mas pouco espessa, que já existia no afastamento frontal do terreno.

— Meu desafio é adotar novos acabamentos no exterior das construções. Já usei, por exemplo, pastilhas de vidro transparente, pouco usuais em fachadas. Gosto muito, aliás, de usar grandes panos de vidro, empregando o material não só nas janelas, mas também nos peitoris. Dá brilho ao prédio — ressalta o arquiteto.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.