17/02/2009

Outros critérios ajudam a racionalizar a decisão

Fonte: O Estado de S. Paulo

Oferta local do modelo escolhido e a estrutura do telhado
podem ajudar a definir o modelo ideal

O arquiteto Donni Fernandes relaciona critérios de escolha que nada têm a ver com conforto ou plasticidade. “É preciso ter disponibilidade do material. Frete muito alto inviabiliza o uso”, alerta. Antonio Bellieni Souza, da Lajoteiro, aponta justamente o frete como a maior barreira para a consolidação da telha de concreto fora do Estado de São Paulo. “Aqui, onde estão as fábricas, o concreto está consolidado como alternativa. Só a Eurotop produz um milhão de telhas por mês.

Fotos: DivulgaçãoOutros critérios ajudam a racionalizar a decisãoTelha transparente cobre a área da cozinha e de lazeremprojeto de Donni Fernandes

O problema é quando tem que competir com a cerâmica local, que não paga frete”, diz. A produção brasileira de telha cerâmica é de 500 milhões de peça/mês e está disponível em qualquer localidade do Brasil. Outro cuidado é com o madeiramento. O tradicional serve para praticamente todos os modelos. As diferenças ficam por conta da inclinação. “A maioria exige inclinação de 25% a 35%”, diz. Souza faz uma ressalva ao tipo de madeira utilizado.

“Antigamente a madeira era farta, barata e sempre da mesma espécie, assim o trançado era um exagero. Podia colocar qualquer peso, que dava conta”, explica. Hoje, ainda segundo o comerciante, a madeira é um problema.”É cara,as espécies mais conhecidas estão em extinção e têm comercialização proibida. O pessoal começou a aumentar os vãos para reduzir a quantidade necessária.” Com isso,o telha do cede e desalinha, gerando goteiras mesmo nas telhas capa e canal. Segundo cálculos de Souza, um telhado de 200 metros “tamanho mais comum” abriga 5 mil telhas, o que dá 15 toneladas.

“Considerando que as telhas cerâmicas absorvem mais 20% do seu peso em água durante a chuva, é preciso somarmais
6 toneladas.” As versões impermeabilizadas ganharam importância nesse cenário, pois evitam o aumentodo peso.”Em geral, o madeiramento entorta quando chove, com o aumento do peso”, diz. Nas cerâmicas, a impermeabilização é feita com aplicação de resinas “que custam 20% mais” ou com esmalte. Neste último caso o preço dobra.

“É como se tivesse transformado a telha em um azulejo. O esmalte também permite colorir a cerâmica”, diz Souza. Nasversõesemconcreto, a impermeabilização é feita comum a camada impermeabilizante semelhante ao esmalte. “São chamadas Pirineus e podem ter a cor que o cliente desejar”, ensina Souza.

ALTERNATIVAS – Fernandes cita ainda materiais alternativos, como as telhas transparentes, feitas em vidroouderivadosdematerial plástico com o poliuretano e poliestireno. “Existem versões em vidro para todos os modelos de telhas cerâmicas ou de concreto. O poliuretano pode ter a forma que desejar”, conta. O arquiteto costuma incluir partes transparentes nos telhados de projeta. “Isso favorece a iluminação natural.” Há ainda as telhas recicladas. “O pessoal está usando as recicladas para substituir as de amianto, que foram banidas em São Paulo. O preço é quase igual”, conta. As telhas de amianto, chamadas “”infernite”” pelos profissionaisdo setor, por esquentarem demais, eram a opção mais barata do mercado.

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