29/04/2009

Pacote deu novo fôlego às construtoras

Fonte: Jornal da Tarde

Clima de pessimismo e de ações em queda parece ter virado coisa do passado

O setor da construção civil foi um dos primeiros a sentir os efeitos da crise internacional. Com a escassez de crédito, muitas das empresas ficaram sem caixa para tocar obras de imóveis já lançados. Mas o clima de pessimismo e de ações em queda parece ter virado coisa do passado.

?O efeito do pacote em termos de criação de demanda é monstruoso?, afirma o presidente da incorporadora PDG Realty, José Grabowsky. A Goldfarb, unidade da PDG especializada em imóveis de até R$ 130 mil, viu suas vendas triplicarem na última semana.

Com taxas de juros menores e isenção de impostos, o programa ?Minha Casa, Minha Vida? aumentou a capacidade de compra das famílias, incluindo na clientela das construtoras nada menos do que 11 milhões de famílias. Esse é o universo das famílias que têm renda de 3 a 5 salários mínimos, segundo levantamento do banco Barclays, que até então não era o foco das construtoras.

Antes do pacote habitacional, as construtoras que atuam no segmento econômico estavam focadas em atender a faixa de renda de 5 a 10 salários, com imóveis de R$ 100 mil a R$ 130 mil, podendo chegar a R$ 160 mil. Agora, as empresas estão adaptando projetos e oferecendo mais lançamentos na faixa de R$ 70 mil, em busca de uma clientela com renda a partir de 3 salários mínimos. ?Esse é o foco dos novos terrenos que estamos comprando agora?, afirma.

A Tenda e a MRV também estão ampliando os lançamentos para a faixa de 3 a 5 salários mínimos. ?Já estávamos prevendo aumentar os lançamentos nessa faixa para acima de 63% do total?, diz o presidente da Tenda, Carlos Trostli. ?Mas agora achamos que vamos passar de 75%.? A empresa, que estava sem capital de giro para tocar algumas obras, aprovou na semana passada um financiamento de R$ 600 milhões de recursos do FGTS, com carência de dois anos e taxa de juros de 8% mais TR ao ano por 5 anos.

A MRV está enquadrando todo o seu banco de terrenos de 90 mil unidades para atender a um público de até 10 salários mínimos. ?Teremos algumas unidades na faixa de 1 a 3 salários, mas a maior concentração é para o segmento de 3 a 10 salários?, diz o vice-presidente executivo e financeiro da MRV, Leonardo Correa.

Com um banco de terrenos de 80 mil unidades para a faixa de até R$ 160 mil, a Rossi pretende adaptar todos os projetos com lançamentos previstos para os próximos dois anos para a faixa de até R$ 130 mil. Esse segmento, que no ano passado representou 30% dos lançamentos, deverá saltar para mais de 50% este ano. ?O plano restabeleceu a confiança do consumidor, que agora sabe que, mesmo se perder o emprego, ele estará segurado?, diz o diretor comercial da Rossi, Leonardo Diniz. Mariana Barbosa.

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