30/10/2006

Pacote economiza 10%

Fonte: O Estado de S. Paulo

Medidas a serem anunciadas em setembro devem incluir o fim da TR no financiamento

Quem fizer financiamentos para a compra da casa própria após o governo federal oficializar as novas regras vai ter uma economia de pelo menos 9,96% na quitação do débito, segundo o economista da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira. O fim da Taxa Referencial (TR), que está entre as propostas, é o principal responsável por esse alívio no bolso do futuro proprietário.

A previsão era de que o novo pacote para o setor de habitação fosse anunciado hoje. Entretanto, o Ministério da Fazenda comunicou ontem que o anúncio foi adiado para o dia 5 de setembro, às 11 h, durante uma reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN). De acordo com o Ministério, as medidas não serão mais divulgadas hoje “porque elas ainda não estão fechadas por pendências de natureza técnica”.

Apesar disso, a extinção da TR é dada como certa e considerada benéfica para o mutuário. “Sem dúvida nenhuma, o fim da TR vai possibilitar uma redução nos custos totais destes empréstimos”, afirmo u Oliveira.

O economista usa como exemplo um empréstimo de R$ 100 mil, com prazo de 10 anos, no sistema de amortização tabela Price para comprovar sua opinião. “Do jeito que é atualmente, ao fim do empréstimo, a pessoa terá pago ao todo R$ 186.608,40, levando em consideração juros de 12% ao ano. Com a extinção da Taxa de Referência, o valor final cai para R$ 168.028. Ou seja, uma economia de R$ 18.579,60, que equivale a 9,96%”, explicou Oliveira.

Com base no Sistema de Amortização Crescente (Sacre), a economia do mutuário é ainda maior. Ela chega a 12,83% para empréstimos com os mesmos valor, prazo e juros anuais. “O total pago baixa de R$ 182.721,93 para R$ 159.278,73”, informou o economista da Anefac. O Sacre, inclusive, é o sistema mais indicado para quem pretende fazer um empréstimo pois as prestações diminuem com o passar do tempo. Já na Tabela Price a tendência é que elas aumentem.

A expectativa, porém, é que a economia do mutuário seja ainda maior com a oficialização desta medida. Isso porque é esperado que os bancos e instituições que oferecem o serviço cobrem menos que 12% de juros ao ano. “É de se esperar que a ampliação do volume de crédito possa vir a provocar uma competição maior no sistema financeiro, provocando uma queda nas taxas de juros atuais, ampliando-se a redução do custo destes empréstimos”, opinou Oliveira.

Outra medida que deve ser anunciada pelo governo no próximo dia 5 de setembro é a permissão para utilizar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como um tipo de garantia para os trabalhadores que querem financiar um imóvel. Se for confirmado, este recurso poderá ser usado no caso das pessoas que contratassem o financiamento por crédito consignado e perdessem o emprego no meio do pagamento do débito, por exemplo. O governo acredita que é uma forma de evitar ou, ao menos, minimizar os riscos de inadimplência.

Quanto ao financiamento por crédito consignado, no qual as prestações são descontadas diretamente da folha de pagamento, o mercado teme que possa haver problemas, se essa medida for lançada sem uma regulamentação bem definida. “Comprar um imóvel é uma operação longa e o mutuário pode perder o emprego. Temos de esperar para ver se o governo vai definir instrumentos eficientes para garantir a segurança dos contratos”, opinou o presidente do Sindicato da Indústria de Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon), João Cláudio Robusti. Por isso, Robusti acredita que o governo lance essa modalidade primeiramente para servidores públicos, “pois trata-se de empregos com estabilidade”. “Depois, essa opção seria estendida para trabalhadores que atendessem a alguns pré-requisitos ainda não definidos”, finalizou.

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