27/01/2009

Pacote para Nova Luz prevê obras em 16 ruas comerciais

Fonte: Jornal da Tarde

Prefeitura quer acelerar desapropriações por meio da iniciativa privada e vai oficializar benefícios fiscais a empresas que se transferirem para a região. Lançado em 2005, projeto de revitalização da Cracolândia ainda não decolou

A Prefeitura de São Paulo prevê para fevereiro três ações que têm como objetivo acelerar o projeto Nova Luz, na região conhecida como Cracolândia, no centro. Será lançado um pacote de obras de reurbanização e reforma de 16 vias comerciais, a administração municipal finaliza a concessão de incentivos fiscais a 16 das 23 empresas selecionadas para se instalar na área e deve ser implantado o modelo de concessão urbanística, para facilitar desapropriações.

Sérgio Neves/AEZap o especialista em imóveisEmpresas vão realizar as reformas em 16 ruas e avenidas em fevereiro

 Até hoje, do projeto original, que tinha como objetivo transformar a área da Nova Luz em um polo cultural, econômico e tecnológico, apenas dois quarteirões tiveram seus imóveis desapropriados e demolidos, e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) transferiu sua sede para a região. Das 23 empresas, só duas já se instalaram lá.

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisComo vai ficar

A primeira ação está prevista para até o dia 5, quando, depois de cinco adiamentos que consumiram mais de um ano de espera, a Prefeitura oficializa os incentivos fiscais às empresas selecionadas há 13 meses para se mudar para a região. São esses documentos que garantirão oficialmente que as instituições das áreas de tecnologia, comunicação, call centers e imobiliárias receberão descontos de impostos para operar na Nova Luz. Pelos contratos, as empresas terão até dez anos para investir no centro, mas o JT apurou que várias têm interesse em se instalar na região em poucos meses.

Quanto à reurbanização das 16 vias, uma empresa contratada pela Prefeitura, a Contracta Engenharia, já tem ordem de serviço para iniciar a reforma das ruas e avenidas, com previsão de instalação de “”””vias técnicas””””, com cabeamento de internet de alta velocidade e fibra ótica.

As calçadas ganharão piso novo e o plantio de 88 árvores das espécies ipê-rosa e pau-ferro, a iluminação será trocada, duas vias – Santa Ifigênia e General Couto de Magalhães – terão calçamento alargado e a Praça Alfredo Issa ganhará redesenho das calçadas, com alinhamento viário e recapeamento. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) fará interdições pontuais para a reforma, que vai durar 15 meses e está orçada em R$ 13,7 milhões.

Já a concessão urbanística é um mecanismo que será usado pela primeira vez no País. Previsto no Plano Diretor da capital, o modelo transfere à iniciativa privada, por licitação, a prerrogativa de comprar terrenos e imóveis e executar desapropriações mediante pagamento aos proprietários. Em contrapartida, as empresas ou consórcios vencedores deverão ajudar a Prefeitura de São Paulo fazer melhorias urbanísticas na Nova Luz e ficarão responsáveis por construir na Rua dos Gusmões as futuras sedes de dois órgãos municipais.

INSATISFAÇÃO – As duas empresas que já funcionam na Nova Luz ainda não receberam nenhum dos incentivos prometidos e estão insatisfeitas com a lentidão do programa.

“Mudei de Santana do Parnaíba (Grande São Paulo) para cá há um ano e, até agora, só quebrei a cara”, reclama Carlos Alberto Viceconti, proprietário da DigiSign, empresa de software que tem sete funcionários. Eles sofrem com a insegurança e com o risco de assaltos quando trabalham até tarde.

Na agência de publicidade FessKobbi, a primeira a se mudar para a Rua do Triunfo, há 3 anos, o sentimento é o mesmo. “Ainda não recebemos nada nem satisfação”, afirma a diretora administrativa, Celene Marrega. A empresa investiu R$ 1 milhão na mudança da sede. “Vemos gente carregando uma geladeira nas costas para trocar por duas pedrinhas de crack”, diz. “Sem contar que é constrangedor trazer um cliente aqui.”

“Se você comparar com o que era há quatro anos, a diferença é notável”, afirma o secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo. Os traficantes, afirma, saíram de lá, no entanto ainda há muitos viciados em drogas nas ruas.

Na semana passada, a polícia estourou um laboratório de drogas na Rua dos Gusmões.

ABANDONO – Enquanto as reformas não começam, os imóveis da Nova Luz já desapropriados continuam sujos e abandonados. Na Rua dos Andradas, as calçadas estão cheias de lixo. Na Rua dos Gusmões, 136, o imóvel virou garagem de carrocinhas de catadores.

EMPRESA JÁ AMEAÇA DESISTÊNCIAA empresa BRQ IT Services, uma das habilitadas a receber incentivos fiscais para se mudar para a região da Nova Luz, no centro, cogita alterar os planos caso as reformas na área não saiam do papel nos próximos meses.

Com o escritório paulistano na Vila Olímpia, zona sul, a BRQ IT Services planejou sua expansão levando em conta a mudança para o centro, de acordo com o proprietário, Benjamin Quadros. “A previsão para a entrega do nosso espaço é 2010, mas, se não estiver pronto até lá, podemos tirar esses funcionários de São Paulo, transferi-los para outros Estados”, afirma.

Quadros pretende levar 2 mil empregados para a Nova Luz, caso os projetos andem conforme o esperado. “Nossa principal preocupação é com o atraso, com a mudança da região. Hoje, o ambiente lá é complicado para os funcionários que saem de madrugada, por exemplo”, diz. Em planejamento, uma das maiores novidades será a construção de um edifício de sete andares e 12 mil m², próximo da Rua dos Andradas, pela DMF Construtora. Outra empresa que deverá se instalar ali será a Microsoft Brasil. “O conceito do programa Nova Luz é brilhante. Falta a execução”, afirma Carlos Eduardo Sampaio, da DMF.

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