19/03/2009

Pacote terá prestações entre R$ 100 e R$ 180

Fonte: Jornal EXTRA

7,2 milhões de pessoas não moram em condições consideradas adequadas no país

Na porta do apartamento 320, o último do terceiro andar de um prédio no Centro do Rio, a mensagem, num adesivo, é desafiadora: “É fácil me criticar, difícil é pagar minhas contas”.

A porta se abre e, na pequena quitinete, a temperatura não é inferior a 30 graus. Dentro, estão mãe, filha e neta, mas ainda faltam chegar duas pessoas: os maridos de Josina Fontes de Souza, de 52 anos, e de Ana Carla Souza, de 22 – mãe da pequena Ana Clara, de 3. Os cinco – conta Josina – se acomodam, à noite, no único beliche no canto da sala. A cadela Belinha dorme no chão.

“Pode imaginar como fica à noite?”, perguntou a costureira, sem esperar resposta.

Assim como Josina e sua família, 7,2 milhões de pessoas não moram em condições consideradas adequadas no país. São brasileiros que formam o chamado déficit habitacional, sobre o qual a equipe econômica do presidente Luís Inácio Lula da Silva está debruçada desde o fim do ano passado.

O objetivo do governo federal, com o pacote habitacional que será anunciado até o dia 23, é encontrar saídas para garantir moradia para tanta gente que, hoje, não consegue se encaixar nos financiamentos e programas existentes. O foco é a população com renda mensal de até três salários mínimos (R$ 1.395).

PRÉDIOS PÚBLICOS – Para tentar alcançar a meta estipulada, a União contará com a parceria de estados e municípios, que já começaram a identificar imóveis públicos que poderão servir como residências. O secretário municipal de Habitação do Rio, Jorge Bittar, já traçou a estratégia: está identificando a demanda por tamanho da família e pela renda; iniciou negociação para análise de crédito desse pessoal com a Caixa Econômica Federal; e vai unir o subsídio do governo federal à utilização de prédios públicos inativos da prefeitura.

“A ideia é permitir que as prestações da casa própria sejam de cem reais a R$ 180, no máximo. O valor é menos da metade das parcelas do Programa de Arrendamento (PAR), voltado para quem ganha até R$ 2.200. No PAR, as prestações chegam a cerca de R$ 300, R$ 380 por mês”, disse Bittar.

O objetivo do secretário é oferecer dez mil imóveis este ano e cem mil até o fim do governo Eduardo Paes.

“Serão dez mil unidades este ano, 20 mil no ano que vem, 30 mil em 2011 e 40 mil em 2012, totalizando os cem mil que queremos ao longo do governo”, completou.

CENTRO E BAIRROS DO SUBÚRBIO – Centro, Avenida Brasil, Sepetiba, Jacarepaguá e bairros do subúrbio da Leopoldina, como Bonsucesso, Manguinhos, Ramos, Olaria, Penha, Costa Barros e Barros Filho, são algumas das regiões que devem receber investimentos imobiliários, no âmbito do pacote habitacional do governo federal. Pelo menos, é essa a expectativa dos secretários municipal e estadual de Habitação do Rio, Jorge Bittar e Leonardo Picciani, respectivamente.

“As áreas exatas que serão alvo de programas vão sair do mapeamento que estamos realizando tanto em relação a prédios públicos quanto à demanda de pessoas sem moradia”, disse Bittar.

COLETA DE DADOS – Segundo o secretário municipal, os interessados devem informar ou atualizar seus dados na prefeitura (Rua Afonso Cavalcanti, 455, Bloco B, térreo, e Praça Pio X 119, 3 andar, no Centro). Além da região de interesse, a secretaria está coletando informações como tamanho da família e renda mensal.

“Em breve, vamos distribuir postos de cadastramento pela cidade e aceitar que as informações sejam enviadas pela internet”, explicou Bittar.

O estado também iniciou um mapeamento, que vai indicar as áreas prioritárias. Fora da capital, o secretário Leonardo Picciani aposta que o pacote viabilizará projetos habitacionais em Duque de Caxias e Magé, na Baixada Fluminense, e em Campos, no Norte Fluminense.

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