30/10/2006

Pagando para não se arriscar um crédito para quem não sabe se proteger da inflação, diz especialista

Fonte: O Globo

Diretor de banco aposta na demanda dos que tem renda na faixa de R$ 4 mil

Famílias com renda mensal na faixa de R$4 mil – que compram imóvel na faixa de R$150 mil – são o principal público para as linhas de crédito imobiliário com taxas prefixadas. Ao menos essa é a avaliação de Luiz Antônio Rodrigues, diretor de Crédito Imobiliário do Itaú:

– Quem procura imóveis de maior valor, na faixa acima dos R$300 mil, normalmente sabe como se proteger da inflação, caso ela volte a preocupar. A classe média média, não. Por isso, é importante para este público ter a certeza de quanto pagará ao longo do contrato.

Essa tendência foi confirmada pelo Santander que lançou, em abril do ano passado, uma linha prefixada, para imóveis acima de R$350 mil, com financiamento em dez anos, e acabou mudando posteriormente os parâmetros. Hoje, o crédito é para imóveis a partir de R$40 mil, com o dobro do prazo para pagamento, exatamente, por conta da demanda.

– Percebemos que 70% da demanda para contratação de crédito prefixado que chegava a nós era para imóveis abaixo de R$350 mil. Daí a mudança – explica José Manuel Alvarez Lopez, superintendente de Crédito Imobiliário do Santander.

Condições de financiamento estão um pouco melhores

A Caixa Econômica ainda está estudando os parâmetros da linha de crédito prefixada que deve lançar ainda este ano:

– O objetivo é aumentar o portfólio de ofertas à classe média – diz Jorge Hereda, vice-presidente de Desenvolvimento Urbano da Caixa.

Mas os candidatos devem estar atentos. É que, segundo cálculos da Camerj, pelo modelo, para um crédito no valor de R$120 mil em 15 anos, as prestações fixas variam de R$1.819 a R$1.961, de acordo com o banco. Via SFH, entretanto, considerando-se TR de 3% ao ano, a prestação inicial é R$1.806; depois de cinco anos, de R$1.661; e na 180ª cai a R$1.054.

– Ou seja, no cenário atual, sairia bem mais caro – diz Freire, diretor da Camerj.

Para quem não quer nem pensar nesta alternativa, Alexandre Glüher, diretor departamental do Bradesco, diz que há outras boas novidades para a classe média. Ele destaca, por exemplo, a melhora nas condições das linhas de crédito já existentes:

– Recentemente, ampliamos o prazo de 15 para 20 anos, o percentual de crédito de 70% para até 80% e o comprometimento da renda de 25% para 30%.

O diretor do Bradesco ainda aposta na valorização do relacionamento com o cliente:

– A tendência é de que se tenha condições especiais, em taxas, prazos e percentuais, de acordo com o cliente.

O setor ainda está buscando, junto ao governo federal, algumas alterações que poderiam baratear os financiamentos para a classe média, diz o presidente da Abecip, Décio Tenerello. Entre elas, a isenção de Cofins e PIS nas operações de crédito imobiliário, além de pagamento das prestações direto em débito em conta, com isenção da CPMF. Rodrigues, do Itaú, faz a conta:

– Pode não parecer nada, mas, ao fim de um ano, o mutuário paga cerca de 5% a mais sobre o valor total das prestações só de CPMF.

Setor quer registro único e online para os imóveis

O presidente da Abecip adianta ainda que o mercado está preparando, em parceria com os cartórios, a implementação de um registro único e online de imóveis. O resultado prático, continua, será a redução do tempo médio para a concessão de financiamentos, que hoje é de 45 dias:

– Isso, quando tudo dá certo – destaca Tenerello.

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