18/05/2007

País está no radar dos investidores

Fonte: Jornal da Tarde

Estabilidade financeira eleva procura do capital estrangeiro pelo mercado imobiliário brasileiro

Jonne Roriz/AEZap o especialista em imóveisExistem hoje 17 empresas do ramo imobiliário com ações negociadas na Bolsa de Valores, 57% para estrangeiros

O mercado imobiliário brasileiro está, definitivamente, no radar dos investidores estrangeiros. Foi baseado em números que retratam a realidade do setor que o presidente da Federação Internacional das Profissões Imobiliárias (Fiabci Brasil) e vice-presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Ricardo Yazbek, sustentou o otimismo em seu discurso no seminário O Brasil a Caminho do Boom Imobiliário, realizado nesta semana na Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo.

Entre os motivos que mais atraem o capital internacional, conta ele, estão a estabilidade econômica e a cultura brasileira. “Com a inflação controlada, a queda do ‘risco país’ e dos juros, embora a taxa de juro real esteja demasiado alta, a democracia consolidada que temos no Brasil, o clima favorável e o povo acolhedor que temos aqui são muito bem vistos lá fora e atrai o interesse internacional”, explica.

Segundo ele, o Brasil recebeu no ano passado cerca de US$ 1,4 bilhão de investimento direto estrangeiro na área de construção civil. O montante é 410% superior ao registrado em 2005. Yazbek destacou também que existem atualmente 17 empresas do ramo imobiliário com ações negociadas em bolsa, das quais 57% são de investidores estrangeiros.

Citando ainda os números positivos da economia, o executivo ressaltou o crescimento significativo do patrimônio dos Fundos de Investimentos e Participações, que, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), subiram de R$ 127 milhões em 2003 para R$ 6 bilhões neste ano.

O presidente da Fiabci lembrou também a valorização dos títulos da dívida externa brasileira, que “dos anos 1980 até o começo dos anos 1990, valiam apenas 35% do valor de face e hoje custam até 115% do valor”.

Construção também comemora

Um dos principais elementos propulsores do mercado imobiliário, o setor da construção civil também comemora o aquecimento da economia e a demanda de investimentos prevista pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Depois de registrar queda de 2% em 2005, o segmento se recuperou no ano passado, crescendo em torno de 6% e estima, para 2007, um índice ainda mais otimista, na casa dos 8%.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Matérias de Construção (Abramat), Melvyn David Fox, ambos os setores, imobiliário e construção civil, estão em evidência hoje, tanto do ponto de vista do governo quanto do mercado. “Estamos vivendo um momento especial. Nos últimos dez meses, o crescimento tem sido constante, fato que não se via até 2005. E com a expectativa gerada pelo PAC, estima-se um crescimento maior para este ano”, afirma.

O PAC prevê investimentos de R$ 106 bilhões no setor até 2010. Pesquisas realizadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostram que, mesmo que somente 70% de todas as obras previstas pelo programa sejam realizadas, como vem ocorrendo hoje, o crescimento da construção civil pode chegar a 12% ao ano.

De acordo com Fox, a indústria brasileira tem condições suficientes de suprir o aumento de demanda, já que opera com capacidade média de 70%. “Temos condições de absorver isso sem causar inflação de demanda”, sentencia.

O executivo ressalta, contudo, um problema crônico no setor. Segundo ele, a falta de mão-de-obra qualificada deve ser o maior gargalo da construção civil com a verba injetada pelo PAC. “Com o aumento da demanda, estamos preocupados com a qualidade dos serviços. A construção civil não se preparou na qualificação da mão-de-obra como outros países fizeram”, lamenta.

Ele conta que todo o setor da construção civil absorve 13% da mão-de-obra do País. Quem mais vai sentir a falta de qualidade nos serviços, diz, são os consumidores que fazem auto-gerenciamento de suas obras que, segundo Fox, representam cerca de 60% da demanda. “Temos que tomar cuidado para não ter problemas no futuro com obras mal feitas”, preocupa-se o presidente da Abramat.

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